‘Explode coração’ chega ao Globoplay mostrando cultura cigana e amor virtual nos anos 90


Novela de Gloria Perez revelou tradições ciganas, debateu início da internet e motivou campanha para encontrar crianças desaparecidas; relembre a trama e veja curiosidades e fotos. Eliane Giardini, Stela Freitas, Leandra Leal, Tereza Seiblitz e Laura Cardoso em ‘Explode coração’
Jorge Baumann/Globo
Em pleno ano de 1995, o casal protagonista de “Explode coração” se conhece e se apaixona pela internet, em uma trama que poderá ser revista a partir desta segunda-feira (22) no Globoplay.
Para ajudar a entrar no clima, o G1 publica curiosidades sobre a novela, com dados do Memória Globo (leia mais ao fim da reportagem).
Bem ao estilo de Gloria Perez, a história tem conexão profunda com seu tempo. Além de mostrar o início da popularização dos computadores, mobilizou o país em uma campanha para encontrar crianças desaparecidas.
Explode Coração: Júlio Falcão conhece Dara
E, é claro, revelou as tradições de uma cultura nem tão conhecida por muitos. Na história, a protagonista Dara (Tereza Seiblitz) faz parte de uma família cigana, fiel aos costumes.
Seu casamento com Igor (Ricardo Macchi) foi acertado quando os dois ainda eram crianças. Mas Dara não quer assumir o compromisso: ela sonha estudar, trabalhar e ser independente.
É então que passa a viver uma relação virtual com Júlio (Edson Celulari), casado com Vera (Maria Luisa Mendonça).
Os dois se conhecem pessoalmente, se apaixonam e lutam para ficar juntos, em meio a obstáculos e aos conflitos entre a cultura milenar do povo cigano e as tradições da família de Júlio.
Em depoimento ao Memória Globo, Gloria lembra que criou a história de Dara ao conhecer, durante o estudo dos povos ciganos, uma universitária cujo casamento já havia sido acertado pela família.
“A família queria casar essa moça com uma pessoa que ela nunca tinha visto, que vinha da Polônia. Ela só tinha um retrato 3×4 desse rapaz. A moça dizia que não ia se casar com ele de jeito nenhum”,conta.
Edson Celulari e Tereza Seiblitz em cena de ‘Explode coração’
Jorge Baumann/Globo
“Foi muito interessante ver esse choque cultural. A modernidade fez com que essa cigana fosse para a universidade, mas, ao mesmo tempo, ela era obrigada a levar uma vida e a cumprir projetos que vinham de milênios, de quando eles eram nômades.”
“Explode coração” foi a primeira novela gravada do início ao fim na Central Globo de Produção, o Projac, hoje chamado de Estúdios Globo, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.
Foi na mansão de Júlio que o então presidente das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, Roberto Marinho, bateu a claquete de inauguração do espaço.
Crianças desaparecidas
Na trama, a autora ainda incluiu temas como a exploração do trabalho infantil e o desaparecimento de crianças.
Mais de 60 crianças foram encontradas graças à exibição de depoimentos reais de mães e fotos de seus filhos desaparecidos na novela.
A repercussão da trama ainda estimulou várias empresas a participarem da campanha. Fotos de crianças desaparecidas passaram a ser impressas em bilhetes de loterias e em diversas embalagens.
Veja curiosidades sobre ‘Explode coração’ em pesquisa do Memória Globo
Seguidora de um método de pesquisa antropológico, Gloria Perez conviveu com famílias ciganas, antes de começar a escrever a novela, para conhecer melhor seus costumes. Também contou com a assessoria de ciganos para desenvolver a trama da personagem principal.
Para aprender os hábitos e costumes do povo cigano, os atores fizeram laboratório. Auxiliados pela jornalista Lúcia Abreu, que coordenou as pesquisas da novela, aprenderam danças e expressões em romanês, a língua cigana. Reza a tradição desse povo que todo conhecimento deve ser transmitido oralmente, por isso os personagens aparecem fazendo citações em sua língua.
Tereza Seiblitz ficou mais de um mês dedicada ao laboratório para compor sua personagem, Dara: conversou com ciganos, leu sobre a cultura, participou de festas e chegou a ter aulas diárias de dança cigana, coordenadas pela coreógrafa Sandra Regina.
A bailarina que aparece na abertura da novela é a atriz Ana Furtado, que, depois, atuou em novelas da Globo, tornou-se conhecida como repórter do “Video Show” e do “Big Brother Brasil” e hoje é uma das apresentadoras do “É de Casa”.
O estreante Floriano Peixoto foi uma atração à parte no papel da travesti Sarita Witt, que comoveu e divertiu os telespectadores. Já Regina Dourado e Rogério Cardoso interpretaram o hilário casal Lucineide e Salgadinho, garantindo momentos de muito humor à trama. Ficou marcado o bordão: “Stop, take it easy, me poupe, me economize”.
“Explode coração” foi vendida para Bolívia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Nicarágua, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana, Romênia, Uruguai e Venezuela, entre outros países.
Paulo José, Leandra Leal, Eliane Giardini em cena de ‘Explode coração’
Jorge Baumann/Globo
Edson Celulari em ‘Explode coração’
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Guilherme Karan, Luiz Cláudio Júnior e figurantes em cena de ‘Explode coração’
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Laura Cardoso em ‘Explode coração’
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Maria Luiza Mendonça, Edson Celulari e Tereza Seiblitz
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Renée de Vielmond e Rodrigo Santoro em ‘Explode coração’
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Rogério Cardoso e Regina Dourado em ‘Explode coração’
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Stenio Garcia e Esther Góes
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Tereza Seiblitz e Ricardo Macchi em ‘Explode coração’
Jorge Baumann – Globo