Ex-vereador preso em operação que investiga fraude em contratos do Dmae é solto em Uberlândia


David Thomaz Neto, que atuava como diretor no Departamento Municipal de Água e Esgoto, é investigado na Operação ‘Poseidon’ do MPMG. Daniel Vasconcelos Teodoro também recebeu habeas corpus, mas ainda não saiu do presídio.  David Thomaz foi preso em 28 de fevereiro de 2018 em Uberlândia
O ex-vereador de Uberlândia, David Thomaz Neto, preso desde o último dia 28 de fevereiro, foi liberado do Presídio Professor Jacy de Assis nesta terça-feira (27). David, que ocupava o cargo de diretor-geral adjunto do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), foi preso na Operação “Poseidon”.
A operação do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) por meio do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) investiga irregularidades em contratos celebrados entre a autarquia e a empresa Araguaia Engenharia, bem como desvio de recursos públicos superiores a R$ 8 milhões.
Além de David, a defesa do sócio-proprietário da Araguaia, Daniel Vasconcelos Teodoro, informou que o cliente recebeu na tarde desta terça habeas corpus favorável por desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). No entanto, até a publicação da matéria, Daniel não tinha saído do Presídio Professor Jacy de Assis.
A decisão de soltura de David e Daniel é em segunda instância e cabe recurso do MPMG.
Dmae é alvo de operação que investiga fraudes milionárias
Prefeitura de Uberlândia/Divulgação
Operação ‘Poseidon’
A operação ”Poseidon” foi deflagrada no dia 19 de fevereiro de 2018, já no dia 28 de fevereiro do mesmo ano ocorreu a segunda fase.
Na ação além de David e Daniel foram presos: o ex-servidor do Dmae e que tem cargo na Secretaria Municipal de Obras, Manoel Calhau Neto, o engenheiro João Paulo Voss, o diretor-técnico do Dmae, Carlos Henrique Lamounier Borges, e o ex-diretor geral do departamento em 2012, Epaminondas Honorato Mendes.
De acordo com a denúncia do MPMG, em 2010, o Dmae realizou financiamento de mais de R$ 36 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A justificativa apresentada para o financiamento eram a expansão do sistema de água no município de Uberlândia, abrangendo a reforma e a ampliação da capacidade da estação de tratamento de água de Sucupira, e a implantação da adutora Santo Inácio – Luizote de Freitas e dos reservatórios Bom Jardim, Custódio Pereira, Centro e Sucupira.
Para realizar as obras foi feito um processo licitatório, vencido pela construtora Araguaia, empresa com a qual foram assinados diferentes contratos. No entanto, de acordo com o texto da denúncia, a empresa não poderia participar da licitação e manipulou documentos para obedecer as regras do processo.
Ainda de acordo com o MPMG, em 2012, a Araguaia Engenharia passou a enfrentar problemas financeiros e teve contas bancárias penhoradas. A promotoria aponta que foi nesse momento que os presos se uniram para cometerem crimes em prejuízo do Dmae e em favor da construtora. A denúncia explica que os denunciados agiam da seguinte maneira:
independentemente da realização ou não das obras e serviços previstos nos cronogramas físico-financeiros dos contratos, a Araguaia Engenharia apresentaria as medições como se tivesse cumprido fielmente os termos contratuais
já os dirigentes do departamento aprovavam e autorizavam o pagamento das medições independentemente se fossem verdadeiras ou falsas. Desta maneira, a Araguaia recebia valores mensais sem realizar o serviço
Os promotores do Gaeco denunciaram os envolvidos por associação criminosa, falsidade ideológica, peculato, além de lavagem de dinheiro.

Powered by WPeMatico