Ex-coronel da PM assumiu empresa de suspeito de ser piloto do PCC

Felipe foi preso em Goiás procurado por ter envolvimento na morte de líder do PCC no Ceará

Felipe foi preso em Goiás procurado por ter envolvimento na morte de líder do PCC no Ceará
Reprodução/WhatsApp

Felipe Ramos de Morais preso em Caldas Novas (GO) suspeito de ter pilotado o helicóptero utilizado na morte de Gegê do Mangue, líder da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), cedeu sua parte societária em uma de suas empresas para o coronel reformado da Polícia Militar Edson Luiz Gaspar, que foi subcomandante do Grupamento de Radiopatrulha Aérea  da Polícia Militar de São Paulo —responsável pela frota de helicópteros Águia da PM.

O R7 teve acesso ao contrato social da G.F. Assessoria Aeronáutica Ltda que mostra que Felipe tinha como sócio na empresa Tamires Ferreira Gaspar, filha de Edson Luiz Gaspar.

Em março do ano passado, Felipe abandonou a sociedade e sua cota foi assumida por Gáspar, que passou a ser o responsável pela empresa.

Contrato social mostra relação societária de ex-coronel com Felipe Ramos Morais

Contrato social mostra relação societária de ex-coronel com Felipe Ramos Morais
Reprodução

O documento mostra também que Felipe e a filha do ex-coronel da PM de São Paulo eram sócios na empresa desde 2008. Durante o período em que eram sócios da empresa, Felipe foi preso ao menos três vezes transportando drogas em helicópteros — mas nunca chegou a cumprir pena.

Em 2013, Morais foi preso duas vezes transportando drogas. Na primeira, no mês de abril, ele estava no comando de um Robinson R44, de prefixo PR-HDA, na cidade de São Francisco do Sul, em São Paulo. A segunda, no mês de maio, no município de Curvelo, Minas Gerais, usando a mesma aeronave.

Em 2015, ele foi abordado em Sorocaba no comando de um Robinson R44 de prefixo PR-MOB, suspeito de transportar drogas para um sítio na região de São Roque.

Felipe tirou sua primeira licença de piloto em 2009 e a última renovação foi em 2016 e ainda está válida, segundo a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). A órgão informou ainda que não consta nenhuma multa ou infrações em seu registro aeronáutico.

Além de piloto, Felipe também é dono da empresa aérea GF Helicópteros. Na Receita Federal o endereço da empresa consta na cidade de Goiânia (GO), mas no site da empresa, relacionado ao mesmo CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), a sede da GF Helicópteros aparece como a cidade de Guarujá, no litoral de SP, onde vivia Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Wagninho, e morto na noite desta quinta-feira (22) com tiros de fuzil na porta de um hotel na zona leste de SP.  Waguinho é considerado pela polícia como o líder do tráfico de drogas no Guarujá.

Atualmente, a empresa de Morais possui duas aeronaves com registro ativo na ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil): um avião de pequeno porte, um Beechcraft Bonanza A36, e um helicóptero, um Robinson R-44.

O R7 tentou contato com a defesa de Morais e com o ex-coronel Edson Gaspar para esclarecer esse relacionamento e a sociedade na empresa, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta.

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