EUA e China travam nova rodada da guerra comercial; entenda


Disputa entre os países levam ao mercados financeiros e colocam em risco o crescimento mundial. EUA e China travam guerra comercial
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A guerra comercial entre Estados Unidos e China ganhou novos contornos neste mês. As duas maiores economias do mundo voltaram a subir as tarifas de importação, levando mais uma onda de preocupação aos principais mercados financeiros mundiais.
O temor é de que a guerra comercial prejudique ainda mais o desempenho da atividade econômica global. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que mundo deve crescer 3,3% neste ano, marcando mais uma desaceleração. Em 2018, a economia global cresceu 3,6%. Há dois anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo avançou 3,8%.
O estopim para a nova rodada da guerra comercial ocorreu em 5 de maio, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os EUA iriam aumentar para 25% as tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. A resposta da China veio com o anúncio de que o governo chinês planeja impor tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos dos Estados Unidos.
Numa guerra comercial declarada desde o início do ano passado, o humor entre os dois países mudou depois que as autoridades dos EUA disseram que a China voltou atrás em compromissos substanciais feitos durante meses de negociações para encerrar a guerra comercial entre os dois países. O governo chinês teria feito mudanças no esboço de quase 150 páginas do acordo comercial que acabaria com meses de negociações entre as duas maiores econômicas do mundo.
Estados Unidos e China chegaram a promover novas negociações, mas, por ora, os dois governos apenas se comprometeram a seguir com as conversas.
O início da Guerra Comercial
A guerra comercial teve início em março de 2018, quando o presidente Trump anunciou a criação de novas taxas para a importação de aço e alumínio ao país. O país passaria a cobrar uma sobretaxa de 25% para o aço importado e de 10% para o alumínio.
Embora a China fosse o alvo principal do anúncio de Trump, o aumento das taxas para aço e alumínio afetou vários países, inclusive o Brasil.
Como pano de fundo para a criação de novas taxas, Trump justificou o elevado déficit comercial com os chineses. Ou seja, o país compra mais do que vende para a China. Na época do anúncio da medida, o déficit era de US$ 500 bilhões com os chineses, segundo o presidente norte-americano. Nas contas da China, no entanto, esse déficit é de US$ 275,8 bilhões; e dados oficiais dos EUA apontam ser de US$ 375 bilhões ao ano.
A redução do déficit comercial e o fortalecimento da indústria local foram duas das bandeiras de Trump durante a disputa eleitoral de 2016.
Trump isenta México e Canadá de taxa de importação de aço e alumínio
Acordo esteve próximo
Os dois países chegaram a se aproximar de um acordo comercial. Em fevereiro, Trump, chegou a adiar o aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos chineses graças a negociações comerciais “produtivas”.
Em dezembro do ano passado, durante o encontro do G-20, o presidente norte-americano concordou em suspender o plano de subir de 10% para 25% as tarifas americanas a produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões, enquanto negociava com Pequim “mudanças estruturais” a sua política econômica.
Na época, o anúncio foi considerado o sinal mais claro de que a China e os EUA estavam se aproximando de um acordo para acabar com meses de guerra comercial.
Mas nas últimas semanas, Trump acusou a China de ter descumprido o acordo, o que teria sido o estopim para as medidas mais recentes dos Estados Unidos.
Cronologia da Guerra Comercial
Arte/G1