Estudo encontra mais de 1 milhão de bactérias e fungos em garrafinhas e copos usados em escritórios


Análise foi feita pela Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas, e aponta falta de higienização como principal causa de contaminação. Riscos vão de intoxicação alimentar a infecção pulmonar. Estudo revela quantidade de bactérias em garrafas de água
Na tentativa de reduzir o uso de descartáveis, é cada vez mais comum ver que profissionais de ambientes corporativos, e também de academias, optam por garrafinhas, canecas e copos de plástico e outros materiais. No entanto, a higiene incorreta preocupa e pode significar uma contaminação de mais de um milhão de bactérias e fungos, que provocam de intoxicação alimentar a infecção pulmonar.
A constatação é de um estudo feito pela Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas (SP). Bocais e a parte interna de oito garrafas e copos foram analisados em laboratório e todos apresentaram micro-organismos.
Em alguns dos itens, a sujeira era visível, afirma a doutora em ciências de alimentos e pesquisadora, Rosana Siqueira.
“Principalmente na parte que entra em contato com os lábios, a boca. […] A gente tem a noção de que, por ser água, a água é limpa. Mas, a gente esquece que coloca essa água em contato com a mucosa da nossa boca”, explica a especialista.
Bocal de garrafa de plástico com sujeira por falta de higiene; item fez parte de pesquisa sobre contaminação, em Campinas.
Reprodução/EPTV
Segundo Rosana, a boca tem micro-organismos naturalmente, mas em baixa quantidade. Quando eles são transportados para os bocais e para o interior de copos e garrafas não higienizados, acabam proliferando e a alta quantidade é que representa o perigo para a saúde.
Copo contaminado por falta de higiene foi analisado em estudo de universidade de Campinas.
Reprodução/EPTV
Os riscos também incluem diarreia, vômitos, náuseas e dor de garganta. Entre as bactérias, foram encontradas Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Acinetobacter, Enterobacter, Pseudomonas e Klebsiella. Entre os fungos, Candida, Rhodotorula.
“São bactérias oportunistas. Nem sempre, no nosso ambiente de trabalho, a gente vai estar bem. Então, a gente pode já estar com o nosso sistema [imunológico] debilitado e entra em contato com quantidades encontradas, como mais de 1 milhão desses micro-organismos”.
Fungos e bactérias encontrados em garrafinhas de água mal higienizadas; análise foi feita em universidade de Campinas.
Reprodução/EPTV
Antes e depois
Em apenas uma das garrafinhas analisadas, foram encontradas 17,5 mil bactérias e 1.980 fungos na parte interna. A condição do bocal foi ainda mais preocupante, com 1.152.000 bactérias e 8.310 fungos.
Esse objeto foi lavado e novamente passou pela análise da pesquisadora. No interior da garrafa não havia mais contaminação, mas o bocal ainda conservou micro-organismos: 103.200 bactérias e 110 fungos.
“Se não fizer uma higienização muito profunda, esses micro-organismos vão permanecer”, afirma Rosana.
Pesquisadora Rosana Siqueira da UniMetrocamp, em Campinas, analisa contaminação em garrafas e copos.
Reprodução/EPTV
Como fazer a limpeza correta?
Para evitar a proliferação dos micro-organismos, a pesquisadora recomenta o uso de detergente, esponja de lavar louça e escova de mamadeira, para alcançar o fundo de garrafas.
No caso de canudos, o ideal é que ele fique imerso em uma solução de água sanitária, na proporção de duas colheres para um litro de água. A limpeza deve ser feita todos os dias.
“Tem que esfregar bem a parede das garrafas e também o fundo, e dar uma atenção também para o bocal”, explica Rosana.
Nos locais onde se costuma guardar copos e garrafas, ela alerta para a importância de deixar sempre sem resíduos e restos de água e outras bebidas. Se tiver tampa, guardar limpo e tampado. Se não tiver, guardar virado para baixo, para evitar que insetos tenham acesso aos objetos.
Limpeza adequada de garrafas deve ser feita com escova de mamadeira, aponta pesquisa feita Campinas.
Reprodução/EPTV
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