Estados dos EUA que legalizaram a maconha reduzem mortes por opioides em 20%


Status da cannabis mudou significativamente nas últimas duas décadas no país: 10 estados e Washington DC agora permitem o uso recreativo. Canabidiol é uma substância presente na maconha e é liberado para uso em medicamentos
Marcelo Brandt/G1
Os estados que legalizaram o uso da maconha nos Estados Unidos apresentaram uma redução de pelo menos 20% nas mortes ligadas a overdoses de opioides, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (7).
Os opioides foram responsáveis por 47.600 mortes por overdose no país em 2017, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), e a crise foi declarada uma emergência nacional pelo presidente Donald Trump no mesmo ano.
Mortes por overdose nos EUA batem recorde e chegam a quase 72 mil em 2017
O status legal da maconha mudou significativamente nas últimas duas décadas: 10 estados americanos e Washington DC agora permitem seu uso recreativo. Illinois fará a liberação a partir de janeiro, enquanto 34 estados e a capital federal já permitem o uso da maconha com fins medicinais.
Ao comparar as taxas de mortes por overdose antes e depois da legalização, e entre os estados em vários pontos de legalização, os autores do estudo, publicado na revista “Economic Inquiry”, descobriram o que eles chamaram de “efeito causal”, descrito como “altamente robusto” na redução da mortalidade por opioides.
Sua análise econométrica coloca a redução na faixa de 20% a 35%, com o efeito particularmente maior para as mortes causadas por opioides sintéticos como o fentanil, a droga mais letal dos Estados Unidos, de acordo com os últimos dados oficiais.
Nathan Chan, principal autor do estudo, disse que todos os estados estão afetados pela epidemia de opioides no país.
“Os estados onde a maconha foi legalizada não são tão negativamente afetados como os que não a legalizaram” – Nathan Chan, economista da Universidade de Massachusetts Amherst.
A legalização sozinha não gera a redução. Mas os estados que têm acesso legal à maconha registraram as maiores reduções de mortalidade, escreveram Chan e seus colegas Jesse Burkhardt e Matthew Flyr, da Universidade Estadual do Colorado.
O estudo não analisou quais fatores estavam em jogo junto com a legalização da droga, mas Chan sugeriu que um número crescente de pessoas esteja se automedicando e “lidando com a dor por meio do uso de maconha e, portanto, são menos propensas a tomar opioides viciantes”.
Alguns estudos anteriores sobre o tema, porém, encontraram o resultado oposto: que o uso de cannabis aumenta, em vez de diminuir, o uso de opioides não prescritos por médicos.
Uma hipótese alternativa, de acordo com Chan, é que a legalização da maconha melhora a atividade econômica de um estado e produz outros efeitos sobre o crime, as prisões, o emprego e a saúde de longo prazo, fatores que podem estar ligados a overdoses de opioides.