Especialistas e órgãos de humanas reagem à declaração de Bolsonaro 

O emblemático Centro Universitário Maria Antônia, antiga sede da filosofia da USP

O emblemático Centro Universitário Maria Antônia, antiga sede da filosofia da USP
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Entidades e especialistas ligados às áreas de filosofia e sociologia se manifestaram nesta sexta-feira (26) em relação à declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre possíveis cortes de verba no ensino superior desses cursos.

Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter nesta sexta-feira (26) que o ministro da Educação, Abraham Weintrab, estuda descentralizar os investimentos nesses cursos. O objetivo seria “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”.

Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, a medida vai deixar o país “mais burro”. “Cursos de humanas geralmente não rendem, no sentido de dar lucro, o que não significa que não sejam importantes no investimento. Se quer economizar dinheiro, deveria diminuir os gastos em Brasília no poder Legislativo, Executivo e Judiciário. Essa medida só vai empobrecer o país”, afirmou. 

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A Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) também reagiram, emitindo um comunicado em conjunto.

As entidades manifestaram “indignação e extrema preocupação” em relação às declarações. “Trata-se de demonstração do mais completo desconhecimento sobre a ciência e sobre a produção do conhecimento cientifico”, afirmou.

“A reflexão das ciências humanas e sociais, incluída a filosofia, tem sido tão crucial para a formulação e avaliação de políticas públicas como para o desenvolvimento crítico das demais ciências. É inaceitável, portanto, que essas disciplinas sejam consideradas um ‘luxo’, passível de corte em tempos de crise econômica como a que vivemos atualmente no país ou de “rebaixamento” por motivação político-ideológica”, completou.