Ernesto Cardenal, poeta e sacerdote nicaraguense, morre aos 95 anos


‘Ele nos deixou em paz absoluta, não sentiu dor’, confirmou à AFP Luz Marina Acosta, assessora de Cardenal por mais de 40 anos. Poeta sofreu uma parada cardíaca. O poeta Ernesto Cardenal durante a celebração de seu aniversário de 90 anos, em janeiro de 2015. Cardenal morreu neste domingo (1), aos 95 anos.
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O poeta e sacerdote nicaraguense Ernesto Cardenal morreu neste domingo (1), aos 95 anos, de parada cardíaca, anunciou sua assessora.
“Ele nos deixou em paz absoluta, não sentiu dor”, confirmou à AFP Luz Marina Acosta, assessora de Cardenal por mais de 40 anos. O poeta deu entrada há dois dias no hospital, com dificuldade para respirar. No sábado (29), seus órgãos começaram a falhar.
Cardenal era um representante reconhecido da Teologia da Libertação e protagonista da Revolução Sandinista.
O célebre escritor de obras como “Hora Cero”, “El Evangelio de Solentiname” e “Oración por Marilyn Monroe e Otros Poemas” havia comemorado seus 95 anos em 25 de janeiro, rodeado pela família, com boa saúde e mergulhado na criação de novas obras. Luz Acosta comentou que o poeta disse neste sábado que estava “pronto”, antes de ficar inconsciente.
Logo após a morte de Cardenal, o governo de Daniel Ortega decretou três dias de luto nacional. “Foi um homem abençoado com dons e méritos que elevaram o nome da Nicarágua e seu próprio nome, desde suas contribuições para a cultura universal e a libertação da Nicarágua”, destacou o governo em carta assinada por Ortega e a mulher, a vice-presidente Rosario Murillo.
Ortega e Cardenal foram companheiros durante a luta guerrilheira da Frente Sandinista contra a ditadura somozista. Mais tarde, Cardenal distanciou-se do líder sandinista por diferenças sobre sua condução política.
A escritora e poetisa nicaraguense Gioconda Belli despediu-se com uma mensagem em que disse que Cardenal partiu “depois de uma vida de entrega à poesia e à luta pela liberdade e justiça”.
A morte do poeta acontece um ano depois que o Papa Francisco revogou a proibição de administrar os sacramentos que aplicou contra Cardenal o Papa João Paulo II por sua militância política com a Revolução Sandinista (1979 – 1990).