Entenda como a jovem que ficou tetraplégica já mexe braços e pernas

Karina apresentou avanços no movimento de membros do corpo

Karina apresentou avanços no movimento de membros do corpo
Reprodução/Kickante

A estudante de administração Karina Neustadter, 24, ficou tetraplégica no início do ano após bater a cabeça no fundo do mar ao pegar um “jacaré” em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Mas, de duas semanas para cá, seu corpo começou a expressar movimentos. Ela já consegue estender os braços, erguer o tronco e mexer o dedo do pé e o joelho, segundo sua mãe Tereza Neustadter.

“A médica falou que a Karina vai se supreender com o resultado do tratamento. Ela  disse: ‘ Não vou falar que ela vai correr’. Então, já me deu a esperança de ela vai andar”, afirmou. “Ela está bem animada”.

Leia também: Jovem que ficou tetraplégica após acidente recupera movimentos

Karina iniciará reabilitação na Rede de Reabilitação Lucy Montoro de Santos, referência internacional na área. Ela teve uma fratura na vértebra C6, próxima ao pescoço e foi submetida a cirurgia para colocação de placa de titânio.

O médico fisiatra Celso Vilella, diretor da Rede de Reabilitação Lucy Montoro de Santos, que faz o acompanhento do caso, explica que é possível readquirir os movimentos se a lesão medular é incompleta. 

“Quando é completa, a pessoa perde completamente os movimentos daquele nível para baixo. Por exemplo, se ocorre na região lombar ou toráxica, se torna paraplégico. Se lesiona no pescoço, fica tetraprégico. Mas, nos casos de secção incompleta na medula, a pessoa pode recuperar os movimentos porque existe uma mínima conexão da medula espinhal com o sistema nervoso”, afirma. 

Por meio de uma ressonância magnética é possível observar a condição da medula. 

Saiba mais: Jovem tetraplégica após acidente no mar lança campanha na web

Cirurgia estabiliza fratura

A reabiltação é o meio para recuperar os movimentos, mas ela só deve ser feita com orientação médica. “É preciso cuidado ao movimentar uma pessoa que sofreu lesão parcial na coluna para que não se torne total”, afirma o médico.

“Por isso que orientamos que quando uma pessoa sofre um acidente e cai, o correto é não mexer na pessoa porque, às vezes, ela tem uma lesão incompleta e, ao mexer, vira completa. Por essa razão, que é feita uma imobilização, com colete e colar”, explica o médico.

Vilella explica que, em casos como o de Karina, em primeiro lugar é feita uma cirurgia, na qual são colocados parafusos e placas para estabilizar o osso fraturado e, depois, se inicia a reabilitação.

“Há o osso, que é a vértebra e, dentro da vértebra passa a medula. Quando essa medula é seccionada, geralmente o osso está fraturado e, às vezes, sobram farpas de osso. Num movimeno brusco, termina de seccionar a medula. Então, se colocar um parafuso e uma placa nessa vértebra, para deixá-la estável, e é posssível reabilitar sem o risco de a lesão virar completa”, explica.

Leia também: Dor nas costas? Veja quais os principais problemas da região

Fisioterapia potencializa ganho

O fisiatra diz que, na reabilitação, que é personalizada, são trabalhados os movimentos que o paciente já tem. “Você potencializa o ganho”. 

“Quando a pessoa tem uma lesão incompleta, geralmente ela começa a mexer naturalmente algum membro, mas mexe de forma errada, que não a ajuda em nada. A reabilitação orienta o movimento para ajudá no dia a dia. É como se ela reaprendesse o movimento”, diz.

O atendimento no Lucy Montoro é multidisciplinar composto por serviço social, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, terapeuta ocupacional, enfermeiro, fonoaudiólogo e professor de educação física.

Dentro do setor de fisioterapia, há recursos como robô de treino de marcha, marcha suspensa, plataforma de treino de equilíbrio e robô para treinar membros superiores; já na terapia ocupacional, há uma sala que simula uma residência para treinar as atividades do dia a dia.

“O principal é o exercício, porque isso é o que fazemos no cotidiano. Por exemplo: se você fica sem mexer o braço por um mês, provavelmente vai ter dificuldade em mexê-lo. E você não teve nenhum problema no braço. Se você não mexe o corpo, ele atrofia. Não atrofia por causa da lesão, mas por falta de movimento”.

Ele ressalta que o movimento é fundamental para tudo. “O cuidador precisa fazer todo dia exercício com a pessoa, indo para o centro de reabilitação ou não. E exercícios simples, como dobrar e esticar o cotovelo, abrir e fechar os dedos. Mas têm que ser exercícios diários. Quantas vezes a gente abre e fecha as mãos por dia?”.

Outro ponto essencial, segundo o fisiatra, é a força de vontade. “Mesmo com robô e medicaemento, se a pessoa não quiser, não tem jeito. É diferente de uma pneumonia. Você pode não querer fazer nada, mas se colocar um remédio na sua veia, você melhora”, explica.

O fisiatra afirma que o “não querer fazer” está relacionado a um fase de negação do problema, na qual um psicólogo pode ajudar.

Reabilitação deve começar o quanto antes

Ele destaca que é possível ganhar movimento até 1 ano e meio depois da lesão, mas, depois desse período, ela entra em uma fase crônica. “Há uma estabilização e a pessoa só consegue manter o que ganhou. Por isso que não pode demorar para fazer a reabilitação”.

Segundo ele, há muitos pacientes com lesão cervical incompleta, como a de Karina, que conseguem andar, apenas com alguma dificuldade, utilizando bengala ou muleta.

Existem também casos em que não há lesão da medula, mas apenas um choque, levando à perda temporária dos movimentos do corpo. “Em raríssimos casos, pode acontecer de não ficar nenhuma sequela”. Geralmente, uma pessoa sai do choque medular em 15 dias, no máximo em um mês, voltando naturalmente à vida normal.

Cuidados adequados ajudam vida do cuidadar e da pessoa com Alzheimer: