Enem 2021: afinal, vou zerar a redação se desrespeitar os direitos humanos?


Não respeitar os direitos universais pode impactar a nota do texto. Entenda como isso acontece e veja exemplos do que não fazer. Como respeitar os direitos humanos na redação do Enem
Divulgação
Um dos maiores medos dos candidatos que realizam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a redação. Não dá para prever o tema, há o nervosismo do dia e, claro, é preciso respeitar as cinco competências avaliadas pelos corretores da prova, que são:
Competências da redação do Enem
A quinta competência é a que causa mais dúvidas entre os alunos. Afinal, como respeitar os direitos humanos na proposta de intervenção? Como saber se estou desrespeitando? O que acontece caso haja desrespeito aos direitos humanos no texto?
Confira a resposta para essas e outras perguntas:
O que são os direitos humanos?
De acordo com a Unicef, direitos humanos são “normas que reconhecem e protegem a dignidade de todos os seres humanos”. Eles regem o modo como os seres humanos viverem individualmente e em sociedade, estabelecem obrigações e proibições ao Estado e estimulam o respeito, já que, ao usufruir do seu direito, é preciso respeitar o direito do outro.
Os direitos humanos são universais e inalienáveis, portanto todas as pessoas do mundo têm direito a eles. Ninguém pode voluntariamente desistir deles, nem outros podem tirá-los.
São ainda o reconhecimento de que, apesar das diferenças inerentes das variadas culturas, estilos de vida, religião etc, existem aspectos básicos da vida de cada pessoa que devem ser respeitados e garantidos.
Os direitos humanos estão dispostos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento estabelecido em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os 30 artigos garantem direito à igualdade e à liberdade, direito à saúde e à justiça, cultura e lazer, além de trabalho e remuneração compatíveis, entre outras coisas.
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Como respeitar os direitos humanos na redação?
Durante a elaboração da redação, é preciso apresentar uma proposta de intervenção. Nela, o autor precisa propor uma solução para o problema identificado no tema, apontando:
o que é possível apresentar como solução para o problema;
quem deve colocar a solução em prática;
como viabilizar essa solução;
qual efeito ela pode alcançar;
outra informação pode ser acrescentada para detalhar a proposta.
De acordo com a Cartilha do Participante, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, esta é uma ocasião para o candidato demonstrar seu preparo para exercitar a cidadania e para atuar na realidade em consonância com os direitos humanos.
Durante a avaliação das redações, são considerados os seguintes princípios norteadores dos direitos humanos:
Dignidade humana
Igualdade de direitos
Reconhecimento e valorização das diferenças e diversidades
Laicidade do Estado
Democracia na educação
Transversalidade, vivência e globalidade
Sustentabilidade socioambiental
Portanto, é preciso propor uma intervenção como indicado e considerando os pontos acima para que a redação seja avaliada na competência cinco.
E se houver desrespeito aos direitos humanos no texto?
As redações que apresentem propostas de intervenção que desrespeitem os direitos humanos serão penalizadas na competência 5. Isso pode significar a perda de até 200 pontos que podem ser concedidos por competência.
Para que isso não aconteça, vale ficar atento para que a sua conclusão não pode o direito à liberdade do outro, assim como o acesso à justiça, educação, cultura, lazer e afins.
Em 2019, em que o tema da redação do Enem foi “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, avaliadores deram nota 0 na quinta competência em textos que não respeitaram o exigido, como os exemplos:
“Cadastros deveriam ser feitos para limitar a ida das pessoas ao cinema. Assim diminuiria os casos de acesso contínuo ao cinema, celulares, televisões e outros”;
“É notório para prevenir esses acontecimentos é necessário diminuir a quantidade de cinemas, as pessoas reduzirem o tempo vendo filmes, acabar com os diversos aplicativos de filmes que existem”;
“Portanto, é necessário que diminua o acesso livre ao cinema no Brasil, tem que ser bem rígido e controlado, porque pode aumentar ainda mais a urbanização e isso não é bom”.
A redação pode ser zerada?
De acordo com o Inep, não respeitar os direitos humanos na redação não é um dos motivos que leva ao zero. A pontuação não é considerada no critério cinco, mas os outros quatro ainda devem ser considerados, caso os avaliadores considerem que foram cumpridos.
No entanto, existem outras razões que levam à anulação da nota do texto:
fuga total ao tema;
não obediência ao tipo dissertativo-argumentativo;
extensão de até 7 (sete) linhas manuscritas, qualquer que seja o conteúdo, ou extensão de até 10 (dez) linhas escritas no sistema Braille;
cópia de texto(s) da Prova de Redação e/ou do Caderno de Questões sem que haja pelo menos 8 linhas de produção própria do participante;
impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, em qualquer parte da folha de redação;
números ou sinais gráficos sem função clara em qualquer parte do texto ou da folha de redação;
parte deliberadamente desconectada do tema proposto;
assinatura, nome, iniciais, apelido, codinome ou rubrica fora do local devidamente designado para a assinatura do participante;
texto predominante ou integralmente escrito em língua estrangeira;
folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho; e
texto ilegível, que impossibilite sua leitura por dois avaliadores independentes.