Endometriose pode dificultar, mas não impede a gravidez

Endometriose não causa gravidez de risco, segundo ginecologista obstetra

Endometriose não causa gravidez de risco, segundo ginecologista obstetra
Pixabay

A endometriose dificulta, mas não impede a gravidez. Cerca de 50% das mulheres com endometriose poderão ter dificuldade para engravidar, dependendo da gravidade da doença, segundo o ginecologista obstetra Marcos Tcherniakovsky, chefe do setor de vídeo-endoscopia ginecológica e endometriose da Faculdade de Medicina do ABC.

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A endometriose, definida como o crescimento anormal do tecido endometrial fora do útero, afeta 10% das mulheres no mundo. “Uma em cada 10 mulheres terão aletoriamente o problema”, afirma o médico.

Nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, também se comemora o Dia da Conscientização da Endometriose.

Gestação não piora quadro da doença

A causa da endometriose ainda é desconhecida. Endométrio é o tecido que reveste o útero, onde o embrião é implantado. Quando não ocorre a fecundação, parte desse tecido é eliminado por meio da menstruação. Por alguma razão, em algumas mulheres, essas células do endométrio migram no sentido oposto, caindo nos ovários ou na cavidade abdominal, aderindo a órgãos como intestino e bexiga.

“Acredita-se que a doença esteja relacionada à predisposição genética e ao sistema imune”, afirma.

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Segundo Tcherniakovsky, acreditava-se que a gravidez contribuiria para a melhora da doença. No entanto, ele explica que, hoje, se sabe que a gestação apenas não piora o quadro. “A tendência é não piorar o quadro durante a gestação, pois, além de a mulher ficar esse período sem menstruar, o estrógeno, que estimula o endométrio, tem menos atuação, prevalecendo a progesterona, o hormônio da gravidez”, afirma.

A endometriose tem relação com os hormônios femininos, surgindo durante a fase reprodutiva e regredindo na menopausa.

A mulher com endometriose não terá uma gestação de risco, de acordo com o ginecologista. “Não tem nada a ver. Ela não vai ter mais enjoos nem nenhuma alteração relacionada à endometriose”, diz. “Após a gravidez, quando a menstruação retornar, ela deverá voltar a fazer o acompanhamento e tratamento do problema”, orienta.

Endometriose pode não ter sintomas

O tratamento é feito à base de hormônios, segundo o médico, geralmente com uso de anticoncepcional com o objetivo de suspender a menstruação.

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“O grande problema é que, muitas vezes, a endometriose não produz sintomas e muitas mulheres não sabem que têm, então não fazem o tratamento”, explica.

Os sintomas, quando ocorrem, podem ser cólica menstrual intensa e até incapacitante, dor durante a relação sexual, doar ao evacuar e inchaço abdominal. A necessidade de cirurgia é avaliada pelo médico. “Depende do grau da inflamação e se está progredindo”, diz.

A infertilidade relacionada à endometriose se dá quando a doença afeta a tuba uterina, causando lesões ou sua obstrução, impedindo que os óvulos cheguem ao útero. Os exames utilizados para diagnóstico são a ressonância magnética com preparo intestinal ou o ultrassom endovaginal com preparo intestinal. A fertilidade pode ser restabelecida com o tratamento apropriado.

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