Empresas de teleatendimento, alimentos e saúde lideram lista de maiores empregadores do país; veja ranking


Levantamento do Ministério da Economia, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra os 50 CNPJs com o maior número de vínculos empregatícios. Os maiores empregadores formais do país são atualmente empresas de teleatendimento, alimentos, gestão de saúde e de terceirização de serviços. É o que mostra levantamento feito pelo Ministério da Economia, a pedido do G1, que lista as empresas com o maior número de vínculos empregatícios com carteira assinada, a partir dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A liderança do ranking é da empresa de call center Atento, que reunia em fevereiro 73.822 funcionários. Na vice-liderança, aparece a BRF, dona da Sadia e Perdigão, com 55.513 empregados. E na 3ª colocação está a Vale, com 42.446 vínculos.
Das 50 empresas da lista, 8 delas têm o teleatendimento como atividade principal. Na sequência, estão os ramos de alimentos (6), saúde (6), terceirização de serviços (5) e bancos (4). Veja abaixo o ranking:
Maiores empregadores do Brasil
Como foi feito o ranking
O ranking foi feito a partir das informações repassadas pelas empresas ao Caged e considera os vínculos empregatícios dos estabelecimentos vinculados ao mesmo CNPJ raiz. O levantamento não informa o quadro total de funcionários por grupos econômicos ou das companhias que atuam no país com diferentes CNPJs e subsidiárias.
“Não é possível realizar depurações mais precisas para localizar empresas específicas, pois as estruturas societárias são mais complexas e não correspondem necessariamente às agregações simples de CNPJs”, explicou o ministério.
A Petrobras, que é empresa de capital aberto com maior faturamento e valor de mercado do país, aparece, por exemplo, na 13ª posição no ranking. A companhia informou ao G1, entretanto, que possui atualmente 63.361 empregados no Brasil, considerando todas as suas subsidiárias e empresas controladas.
Já a JBS aparece no top 50 com 2 CNPJs diferentes: a Seara Alimentos (32.881 vínculos) e JBS (27.110). Juntas, elas reúnem 59.991 empregados. Procurada pelo G1, a JBS informou ter atualmente mais de 230 mil colaboradores nos mais de 15 países em que atua..
“A JBS emprega mais de 120 mil colaboradores no Brasil. A companhia está presente em 17 estados, em mais de 130 municípios, sendo a maior empregadora privada na maioria deles”, disse em nota. A diferença em relação aos números informados pelo Ministério da Economia estaria em trabalhadores empregados por outras subsidiárias da JBS não constantes da lista dos 50 maiores empregadores.
Atento, BRF e Vale não quiseram comentar o levantamento.
Unidade da Atento em São Bernardo do Campo (SP)
Divulgação/Atento
A Atento, a líder do ranking, se anuncia como a maior empresa de serviços de gestão do relacionamento com clientes e de terceirização de processos e negócios (CRM/BPO) da América Latina, com mais de 400 clientes. A multinacional tem ações negociadas na bolsa de valores de Nova York e informa em sua página empregar cerca de 150 mil funcionários em 13 países.
Setor de serviços é o que mais gera empregos
Para Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria Idados e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o ranking mostra que os maiores empregadores do país compreende basicamente dois tipos de empresas: as maiores do país em termos de receita e também as que estão em setores que demandam muitos funcionários.
“O setor de serviços é aquele que mais emprega no Brasil, visto que costuma ser mais intensivo em mão de obra”, observa.
De acordo com os números do Caged, o setor de serviços emprega atualmente cerca de 45% do total de trabalhadores com carteira assinada.
“O setor de serviços tem sido o principal responsável pela geração de empregos com carteira assinada. Em 2019, cerca de 90% dos empregos gerados foram neste setor “, afirma Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria.
O pesquisador destaca, entretanto, que parte considerável das empresas do ranking, com destaque para as de teleatendimento, oferecem, na média, empregos que exigem menor qualificação e com menores salários.
“Isso ajuda a explicar a estrutura atual dos salários no país, no qual grande parte dos empregados está nas faixas salariais inferiores. No último ano, cerca de 85% dos empregos criados com carteira assinada ofereciam até 2 salários mínimos (o equivalente a R$ 1.908)”, observa Xavier.
Empresas do ranking reúnem 2,7% das vagas formais do país
As 50 empresas do ranking empregavam em fevereiro um total de 1,053 milhão de funcionários com carteira assinada. Esse universo representa menos de 3% do estoque de empregos formais do país, que reunia em fevereiro 38,6 milhões de trabalhadores, segundo o Caged. Em fevereiro de 2018, eram 38,047 milhões de empregos formais no Brasil. No pico pré-crise, no final de 2014, o número chegou a 41 milhões.
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Apesar da importância das grandes empresas na geração de empregos no país, números do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostram que a maior parte dos empregos formais do país estão hoje concentrados em pequenas e médias empresas.
Das 173 mil vagas com carteira assinada criadas no Brasil em fevereiro de 2019, 125,2 mil foram abertas por pequenos negócios e apenas 36,5 mil por médias e grandes empresas, segundo o Sebrae. As outras 11,4 mil vagas foram geradas na administração pública.
Nos dois primeiros meses do ano, as micro e pequenas empresas acumulam um saldo de 189,5 mil empregos formais gerados, quase 17 vezes maior que o saldo acumulado pelas médias e grandes empresas no bimestre (11.312 vagas).
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