Empresários cobram medidas do Congresso para rastrear produção e apontar agricultor que desmata

Lideranças empresariais se reuniram com presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e pediram medidas para ‘melhorar imagem’ do Brasil. País vem sendo cobrado por dano ambiental. Empresários cobraram na manhã desta terça-feira (28) que o Congresso adote medidas para rastrear a produção agropecuária do país, com o objetivo de separar produtos oriundos de áreas desmatadas dos artigos produzidos em áreas legalizadas.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ouviu a demanda em uma reunião na manhã desta terça, por videoconferência, com entidades e empresários ligados ao meio ambiente e ao agronegócio, além de representantes de bancos.
Os deputados Rodrigo Agostinho (PSB-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, e o deputado Zé Silva (SD-MG), ligado ao agronegócio, também acompanharam as discussões.
Os empresários cobraram medidas concretas do Poder Legislativo para ajudar a melhorar a imagem do Brasil em relação ao meio ambiente, no momento em que o país registra alta de desmatamento em diversos biomas.
Em uma carta aberta, servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disseram que o desmatamento neste ano na Amazônia pode ser 28% maior que no ano anterior. Na comparação com 2018, o aumento seria de 72%.
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Além da rastreabilidade da produção, os empresários também citaram medidas como:
precificação do carbono;
implementação do Código Florestal;
destinação das terras públicas da Amazônia;
agenda de sustentabilidade, com produção de energia limpa.
Rastreabilidade
Em meio à crescente cobrança de organizações e clientes internacionais sobre a origem da carne e o desmatamento na Amazônia, a Marfrig, segunda maior produtora de carne bovina do mundo, anunciou na quinta-feira (23) que investirá R$ 500 milhões em sistemas de monitoramento e rastreabilidade para eliminar a presença de matéria-prima oriunda de desmatamento ilegal.
Segundo o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, Rodrigo Agostinho, alguns produtores de soja e carne já adotam a rastreabilidade, mas não todos.
O deputado disse que as ferramentas já existem, como o Cadastro Ambiental Rural e o monitoramento do transporte de bovinos em razão da febre aftosa.
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“Algumas empresas já fazem, mas tem um mercado interno que não faz. Talvez o parlamento possa ajudar nisso”, afirmou. “Cruzar esses dados é fácil, uma questão de boa vontade. Talvez o parlamento possa caminhar nessa direção”, disse Agostinho.
“Muitos empresários disseram que não aceitam mais o desmatamento ilegal, que é 90% do desmatamento brasileiro. Cerrado e Amazônia são as que mais concentraram o desmatamento”, acrescentou o deputado.
Zé Silva, líder do Solidariedade e ligado à frente ruralista, disse que levou à reunião um modelo de certificação de propriedade adotado em Minas Gerais desde 2004 na produção do café.
De acordo com o deputado, a ideia é ir além da rastreabilidade da produção, atingindo também a questão trabalhista.
“A minha proposta é a certificação de propriedades para garantir que são cadeias produtivas limpas de trabalho escravo, queimada ilegal, ocupação ilegal”, explicou Zé Silva.
Agostinho afirmou que, com a restrição à importação de produtos oriundo de terras desmatadas por europeus e americanos, existe um “sério risco” de que a produção “suja” – ou seja, ligada a práticas não sustentáveis – fique no mercado interno ou seja destinada a outros mercados, como o asiático.
“Isso é muito ruim. Mostra um país que tolera coisas erradas. Para Europa a gente entrega o produtos certificado, e aqui dentro e outros países a gente tolera a coisa mal feita”, disse o líder ambientalista
Desmatamento
Estudo divulgado pela revista Science afirma que até 22% da soja e pelo menos 17% da carne bovina produzidas na Amazônia e no Cerrado e exportadas para a União Europeia podem ter rastros de desmatamento ilegal.
O Brasil vem sendo criticado por investidores, grandes empresas do agronegócio e outros países pela postura ambiental adotada nos últimos anos.
A situação ambiental no Brasil tem sido um dos entraves para a aprovação do acordo comercial entre UE e Mercosul, anunciado em junho do ano passado e que ainda aguarda aprovação de todos os países envolvidos.