Em visita a Manaus, ministro da Educação diz que foi ‘mal compreendido’ sobre ‘universidade para poucos’


Segundo Milton Ribeiro, a intenção era dizer que o Brasil precisa de mais técnicos e não de pessoas com graduação. Declaração foi dada em Manaus nesta sexta-feira (13). Ministro esteve em Manaus nesta sexta-feria (13).
Matheus Castro/G1
O ministro da educação Milton Ribeiro disse nesta sexta-feira (13), em Manaus, que foi “mal compreendido” em um pronunciamento no qual defendeu universidades para poucos. Segundo ele, a intenção era dizer que o Brasil precisa de mais técnicos e não de pessoas com graduação.
O pronunciamento de Ribeiro foi feito no dia 10 de agosto, à TV Brasil. Na ocasião, o ministro defendeu que as verdadeiras ‘vedetes’ do futuro sejam os institutos federais.
“Eu fiz um pronunciamento no dia do estudante no qual fui mal compreendido, quando eu falei ‘a universidade não é para todos’ […]. Tentei explicar que, comparativamente, hoje o Brasil precisa mais de técnicos do que de graduados. Existe muita demanda por técnicos no Brasil e nem todo aluno tem a vocação de fazer um mestrado, doutorado”, disse.
No entanto, apesar de tentar corrigir a fala, Ribeiro voltou a dizer que o Brasil tem muitas pessoas com graduação, mas poucas oportunidades de emprego. Por isso a necessidade de se formar mais técnicos, como eletricistas e encanadores, segundo ele.
“Lá em São Paulo, eu digo e repito, estou cansado de pegar táxi e o motorista ser advogado, administrador, porque não há colocação. Eles tem que trabalhar, mas não há espaço no mercado. A tendência é só botar um quadro com o diploma na parede e ficar desempregado. Essa foi a minha intenção, jamais de tolher a oportunidade.”
Imbróglio no Enem
O ministro também comentou sobre a isenção da taxa de inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. Isso porque, aqueles que, na edição anterior do Enem, estavam isentos, mas não compareceram aos locais de prova só poderiam obter novamente a gratuidade se explicassem por que se ausentaram.
“Tivemos 5,2 milhões de inscritos. Compareceram 2,5 milhões. Quem deixou de comparecer e teve gratuidade, mas não justificou, esse ano não aceitamos que pudesse fazer a prova usando da gratuidade novamente”.
Ribeiro falou que a medida tenta evitar ‘desperdício’ de dinheiro público. “O MEC gastou R$ 700 milhões para fazer uma prova e praticamente 300 milhões tivemos que pegar e jogar na lata do lixo, em um tempo como esse difícil que nós vivemos”.
Nessa semana, entidades estudantis e partidos políticos entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que seja reaberto o processo de inscrição no exame, justamente para os candidatos que reivindicam a isenção da taxa.
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