Em vídeoconferência, reitora da UFRJ expressa dúvidas sobre retorno de aulas no 1º e 2º semestres

Denise Pires de Carvalho disse que antigas práticas da instituição, como salas com 100 alunos, não poderão ocorrer nos próximos meses. Universidade afirmou que ainda vale a suspensão por tempo indeterminado. Reitora da UFRJ expressa dúvidas sobre retorno das aulas no primeiro e segundo semestre
A reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Carvalho, expressou dúvida sobre o retorno das aulas do primeiro semestre da universidade. O comentário foi feito durante uma reunião on-line com o Conselho Universitário da instituição (Consuni) nesta quinta-feira (14).
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Denise Pires levantou questões sobre as atividades no segundo semestre e destacou que antigas práticas da instituição, como salas de aulas cheias, não voltarão a ocorrer nos próximos meses.
“Nós podemos dizer que o primeiro semestre está cancelado, mas eu temo que tenhamos que dizer que o ano de 2020 está cancelado, e agora eu falo como médica. Nós, no Brasil, optamos por uma atitude irresponsável com relação ao enfrentamento dessa crise. Não será o retorno de uma greve longa, não será o retorno do dia para a noite. Nós não voltaremos a ter 100 alunos em uma sala de aula no segundo semestre de 2020. Isso será impossível, quiçá primeiro semestre de 2021”, afirmou a reitora.
As aulas na universidade estavam suspensas por tempo indeterminado desde 23 de março. Oficialmente, a universidade informou que ainda vale a suspensão por tempo indeterminado e que não cabe à reitoria cancelar um semestre, mas sim ao Conselho de Ensino de Graduação (confira íntegra da nota no fim da reportagem).
Durante a reunião, Denise disse que pediu aos pró-reitores da UFRJ que tenham “um olhar especial sobre os estudantes do último ano” e ressaltou ações da instituição no combate à Covid-19.
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“Vamos tentar trabalhar cada vez mais para todo o coletivo. Precisamos nos conhecer, porque, se tivermos que ficar mais um ano com atividades suspensas, obviamente que teremos que ser criativos, proativos e devemos nos afastar da tecnofobia. Não há dúvida, não há saída, mas nós, UFRJ, centenária, seremos criativos e vamos, com certeza, podermos protagonizar também essas ações”, destacou a reitora.
Ela ainda falou sobre as formas de ensino tradicionais durante a pandemia do novo coronavírus e reforçou a necessidade de a universidade ser proativa.
“Será que o conceito de semestre é o conceito ideal nesse momento? O conceito de disciplinas é o conceito ideal nesse momento? Vamos dar asas a nossa imaginação, a liberdade e vamos fazer com que a UFRJ seja proativa”, completou a reitora.
Íntegra da nota
Um trecho recortado e descontextualizado da transmissão em vídeo da sessão ordinária desta quinta-feira (14/5) do Conselho Universitário (Consuni) circulou pela internet em que aparece a reitora Denise Carvalho em fala acerca de um suposto cancelamento de semestre. O comentário se refere ao risco pelo qual a Universidade passa.
A Reitoria da UFRJ esclarece e reitera que permanece válida a nota pública divulgada em 23/3, quando a UFRJ suspendeu as aulas por período indeterminado. É preciso destacar, ainda, que deliberações acerca de calendário acadêmico são atribuições do Conselho de Ensino e Graduação (CEG) e do Conselho de Ensino para Graduados (CEPG) e não da Reitoria, que, inclusive, não anseia pelo cancelamento do semestre e nem deseja implementar ensino remoto sem que a comunidade universitária seja consultada.
Ademais, salientamos que o CEG organizou um grupo de trabalho composto por conselheiros representantes desse Conselho e da Pró-Reitoria de Graduação (PR-1), com o objetivo de estudar e projetar as possibilidades de ação nos 176 cursos de graduação da UFRJ, tendo em vista o contexto atual de isolamento social decorrente da pandemia de COVID-19, doença provocada pelo novo coronavírus.
Esse grupo de trabalho está mapeando a realidade de suas unidades, através das decanias e direções de graduação. A equipe tem realizado reuniões semanalmente e todas as categorias (alunos, professores e técnicos-administrativos) têm representação.
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*Estagiária, sob a supervisão de João Ricardo Gonçalves