Em risco de extinção, filhotes de pacarana são achados vagando em Centro de cidade no interior do Acre


Corpo de bombeiros foi acionado para resgatar filhotes, que vão ser encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, na capital acreana. Em risco de extinção, filhotes de pacarana são achados vagando em Centro de cidade no AC
Um casal de filhotes de pacarana foi resgatado, na noite dessa segunda-feira (17), vagando pela rua no Centro da cidade de Xapuri, interior do Acre. Os animais foram capturados pelo Corpo de Bombeiros da cidade.
Por serem ainda filhotes, as pacaranas vão ser encaminhadas, segundo os bombeiros, para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Rio Branco. O Cetas vau enviar um técnico especializado para fazer o translado das pacaranas até a capital acreana e avaliar o estado de saúde dos animais.
Cristina Boaventura, superintendente do Ibama no Acre, disse que assim que eles receberem os animais o primeiro procedimento a ser feito é avaliar as condições em que se encontram.
“Se os animais estiverem bem, vamos procurar um local para a destinação deles, a prioridade é devolvê-los à natureza. Agora, se por acaso, nós descobrirmos que eles estavam sendo domesticados, criados em uma casa, por exemplo, tenta-se fazer a adaptação. Em último caso encaminhamos para um zoológico,” explicou.
Sobre a pacarana
A pacarana – também conhecida como paca-de-rabo, tem o nome científico de Dinomys branickii. A espécie é considerada o 3º maior roedor do mundo, segundo a bióloga e administradora do Parque Ambiental Chico Mendes, Joseline Guimarães.
O animal está incluído no Livro Vermelho de Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, de acordo com a bióloga e doutoranda do Programa PPGESPA da Universidade Federal do Acre (Ufac) Elaine Oliveir
O número de populações silvestres vem decaindo devido à destruição de seu habitat e caça excessiva para consumo. O animal habita no noroeste da Venezuela e Colômbia até o ocidente da Bolívia, em planaltos; no Brasil habita no Acre e oeste do Amazonas.
Em risco de extinção, filhotes de pacarana são achados vagando em Centro de cidade no interior do Acre
Divulgação/Corpo de Bombeiros
Estrutura morfológica
A espécie possui uma estrutura morfológica diferente dos demais roedores, com um crânio desenvolvido e habilidades de escalar. Além disso, é o único roedor que consegue comer com uma mão só.
“O animal tem uma gestação de 7 a 9 meses, podendo nascer de 1 a 2 filhotes, encontrada em grupos familiares, e se alimenta de raízes, frutos, folhas, castanhas e tubérculos, seus predadores naturais podem ser a onça parda e o quati”, afirmou a pesquisadora Elaine.
Elaine disse que, provavelmente, as pacaranas ocupam um papel importante na predação de raízes e sementes na floresta. Ela falou ainda que é um animal não tem a carne apreciada para o consumo humano.
“Mas, ela ataca as lavouras de milho e macaxeira, que são muito comuns em nossa região e acabam sendo abatidas para que deixem de causar prejuízos na lavoura”, acrescentou a pesquisadora.
Parque Chico Mendes é o único do país que tem pacarana rara disponível para visitação
Zoológico do AC é o único a ter espécie para visitação
O Parque Ambiental Chico Mendes, onde funciona o zoológico de Rio Branco, é o único do país a ter disponível para visitação uma espécie rara de paca, a pacarana, conforme explica a bióloga e administradora do parque, Joseline Guimarães.
Há no local cinco pacaranas, dois machos adultos, sendo um alfa, dois filhotes machos de 11 meses, e uma fêmea que, atualmente, está separada em quarentena.
“O nosso zoológico é o único do país que tem a espécie para visitação e ela é a única fêmea. Ela está em quarentena porque, como tem muito macho, a gente separou para ela ganhar mais peso e a gente cuidar melhor. Ela está sendo preparada para, futuramente, uma nova reprodução, mas ainda não há uma data certa. É uma ação preventiva, porque as fêmeas dessa espécie são muito sensíveis”, explicou.
A administradora disse ainda que a fêmea teve filhotes em fevereiro do ano passado, quando as equipes do local conseguiram reproduzir dois machos da espécie rara de roedores.
Pesquisadora e doutoranda estuda as pacaranas
Elaine Oliveira/Arquivo pessoal