Em nova etapa de estudo em Noronha, pesquisadores colocam transmissores em tartarugas


Pesquisa, paralisada por causa da pandemia da Covid-19, foi reiniciada na ilha. Meta é identificar o impacto das mudanças climáticas em animais. Os pesquisadores instalaram transmissores nas tartarugas
Armando Barsante/Acevo pessoal
A pesquisa que monitora o impacto das mudanças climáticas no sexo da espécie Chelonia mydas, conhecida como tartaruga verde, foi reiniciada em Fernando de Noronha. O estudo teve que ser paralisado, em 2020, por causa da pandemia da Covid-19. Entre outras ações, transmissores foram instalados em animais.
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O biólogo Armando Barsante realiza o estudo para a Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos. “A pandemia prejudicou a pesquisa, porque não conseguimos fazer a coleta das amostras genéticas que estava no planejamento”, disse Armando.
Com o retorno das atividades, o pesquisador tem feito mergulhos, capturas de tartarugas e coleta de DNA. Para fazer o monitoramento nas tartarugas macho, o estudioso instalou oito transmissores, que operam por satélite.
Com os transmissores, é possível monitorar as tartarugas
Armando Barsante/Acervo pessoal
A pesquisa, financiada pela National Science Foundation (NSF), é desenvolvida em parceria com a Fundação Pró-Tartarugas Marinhas (Tamar).
Os dados já existentes indicam que, quanto mais quente a temperatura da areia, mais fêmeas nascem. A partir de 32 graus, só nascem tartarugas fêmeas.
“Nós queremos saber, por exemplo, quantos machos são necessários para uma população ser considerada saudável. Existem poucas informações sobre os machos, que saem pouco da água”, disse Armando Barsante.
Os estudiosos acreditam que em um ninho, com cerca de 90 ovos, há vários filhotes machos. A pesquisa quer saber como a espécie vai se comportar com o aumento de temperatura no planeta.
“Fernando de Noronha é um laboratório para identificar as alterações com o aquecimento global. Isso é de interesse para o mundo inteiro. O número de fêmeas deve ter um limite”, afirmou Barsante.
Outra questão que os pesquisadores querem descobrir é se os machos visitam a ilha todos os anos para reprodução.
Os estudiosos querem saber, ainda, se todos os machos contribuem para todas as ninhadas das fêmeas, que depositam ovos entre oito e nove vezes por temporada.
“É uma pesquisa ampla, que envolve a parte de genética. Com a técnica que utilizados, conseguimos identificar informações da mãe e do pai da tartaruga. Vamos determinar, como um teste de paternidade, com 99,99% de chance de identificar o pai do filhote”, indicou.
O estudo, que começou de 2020, seria feito até 2023. O pesquisador vai tentar estender por mais um ano, para recuperar o tempo perdido com a pandemia da Covid-19.
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