Eletrobras não descarta risco de novo apagão em RR e planeja fazer ‘grande teste’ de termelétricas, diz presidente


No fim de semana, Venezuela interrompeu fornecimento de energia para Roraima por 22 horas. Termelétricas mantiveram abastecimento instável do estado e seis apagões foram registrados. Anselmo Brasil, diretor presidente da Eletrobras, diz que termelétricas passarão por teste para garantir confiabilidade em caso de novos desligamentos do Linhão de Guri
Reprodução/Rede Amazônica Roraima
O presidente da Eletrobras Distribuição Roraima, Anselmo Brasil, disse nesta segunda-feira (12) que não está descartado o risco de acontecer um novo apagão e que está sendo planejando um ‘grande teste’ das termelétricas do estado.
No fim de semana, a Venezuela interrompeu o fornecimento de energia para Roraima por 22 horas após galhos de árvores afetarem a rede elétrica no trecho de Macagua/Las Claritas, no Sul do país.
Depois da interrupção, as quatro termelétricas em funcionamento no estado assumiram o abastecimento feito pelo Linhão de Guri. No entanto, houve instabilidade no sistema local e ocorreram pelo menos seis blackouts em 10 dos 15 municípios do estado.
Segundo Anselmo Brasil, este foi o maior apagão já registrado no estado desde a interligação a Guri, em 2001. A Venezuela interrompeu o fornecimento de energia entre 17h de sábado (10) e só retomou às 15h de domingo (11).
Linhão de Guri abastece o estado desde 2001
Emily Costa/G1 RR/Arquvio
“Foi um teste para nossa empresa e houve uma grande mobilização de funcionários”, declarou Brasil, acrescentando que novos apagões podem recorrer no estado em razão de eventualidades como a do último fim de semana.
Ele afirmou que os blackouts registrados enquanto o estado era mantido apenas com a energia das termelétricas ocorreram por causa de “problemas pontuais” em equipamentos.
“O sistema é composto de diversos equipamentos, que normalmente funcionam por 20 minutos e dessa vez eles passaram a funcionar 22 horas. Então, nesse percurso algumas chaves nossas apresentaram anomalias, e as usinas paravam para se proteger”.
Por causa das interrupções, a empresa planeja fazer, dentro de 10 ou 15 dias, um “grande teste” da capacidade de fornecimento das termelétricas. Três delas foram construídas com o objetivo de manter o estado independente da Venezuela caso fosse necessário.
“Vamos fazer um teste de seis horas operando só o nosso sistema para ver se ainda existe algum ponto vulnerável. Nosso objetivo é aumentar a confiabilidade do fornecimento e a população será avisada sobre esse teste”, finalizou.
Dependência da Venezuela
Desde 2001, o estado é dependente da energia da Venezuela, sendo o único que não está interligado ao Sistema Elétrico Nacional.
Além de Boa Vista, o sistema elétrico venezuelano abastece as cidades de Cantá, Rorainópolis, Alto Alegre, Mucajaí, Caracaraí, Pacaraima, Bonfim, Iracema e São Luiz. O estado paga R$ 111 por megawatt-hora.
O fornecimento, no entanto, é instável e tem constantes apagões. Entre 2014 e 2016 foram mais de 50 interrupções, que causaram prejuízos a moradores e comerciantes.
A questão só deve ser solucionado com a construção do Linhão de Tucurí, mas um impasse com índios Waimiri-Atroari afeta o licenciamento da obra.
*Colaborou Priciele Venturini, da Rede Amazônica Roraima

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