Economia em perigo: dez anos perdidos?

O índice de atividade do Banco Central, o IBC-Br – divulgado nesta segunda-feira (15) – é apenas mais dos indicadores recentes mostrando que a economia continua na perigosa zona da estagnação. A queda do PIB pelo índice do Banco Central foi de 0,73% na comparação com janeiro.
A pesquisa Focus, que o Banco Central realiza semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, também divulgada nesta segunda-feira, revela mais pessimismo com o desempenho da economia. A projeção para o crescimento neste ano caiu para 1,95%.
É a sétima queda consecutiva, indicando que esse início de governo, eleito há menos de seis meses e empossado há menos de quatro meses, não está injetando esperanças entre consumidores e empresários. Pelo contrário.
Os dados divulgados pelo IBGE sobre os três setores da economia relativos a fevereiro são desanimadores. A produção industrial subiu 0,7%, o que apenas compensou a queda de 0,7% de janeiro.
As vendas do varejo ficaram estagnadas, crescimento zero. E o setor de serviços, que representa quase 70% do PIB, caiu 0,4%. Já havia caído 0,4% em janeiro.
O desempenho mais negativo projetado para 2019 já está contaminando também o cenário para 2020. Pela quarta vez consecutiva os analistas revisaram para baixo a expectativa de crescimento para o ano que vem, agora em modestos 2,58%.
Supondo que essas projeções se confirmem, estará consolidado o que já está se antecipando como mais uma década perdida. A outra mais recente foi entre os anos 80 e 90, marcados por estagnação e hiperinflação.
O desempenho ano a ano ficaria assim:
2011 4%
2012 1,9%
2013 3%
2014 0,5%
2015 -3,5%
2016 -3,3%
2017 1,1%
2018 1,1%
2019 1,95%
2020 2,58%
O cenário que se desenha mostra claramente que a situação não está para brincadeiras.