E agora, Manu Gavassi? Cantora fala de vida pós-BBB: ‘Pela 1ª vez, as pessoas sabem quem eu sou’


Cantora fala da trajetória no reality show: ‘No 1º mês, estava bem apavorada por terem perfis de pessoas com comportamento que eu abomino’. Podcast tem entrevista e resumo da carreira. O “BBB20” fez Manu Gavassi ganhar 10 milhões de seguidores no Instagram. Fez também a cantora de 27 anos deixar de ser a estrelinha teen de “Planos Impossíveis”. Agora, a melancólica “Áudio de Desculpas”, do ano passado, é a mais ouvida da carreira nos streamings da vida.
Ouça a entrevista no podcast acima e leia o bate-papo abaixo.
Já são 10 anos lançando álbuns e clipes, mas quais serão os novos passos? E o que dizer da nova série, que ela vai estrelar e roteirizar? Em entrevista ao G1, por telefone, Manu responde essas perguntas e explica a demora para se soltar mais na casa.
Manu Gavassi: evolução da carreira e do visual
Amanda Georgia/G1/Arte
G1 -No ‘BBB’, ficou bem claro que você se apegava a algumas músicas que tocavam, como Dua Lipa, Selena Gomez… E parecia difícil pra você não ter controle do que você ouvia, do que você podia fazer pra passar o tempo. Como foi isso?
Manu Gavassi – Esse processo foi de amadurecimento em diversos aspectos da minha vida e do meu ser. As pessoas acabam vendo a parte mais divertida, os conflitos e as relações humana que têm lá. Mas só que grande parte de você estar confinado é você estar confinado [risos] e você lidar com as questões de confinamento total.
Você não tem informação, você não poder ler um livro, você não poder escolher a tua música, não ter acesso a nada de cultura, de arte. Não ter acesso às pessoas que você ama ou a uma conversa, de repente, para tirar uma dúvida. Então, isso é grande parte do confinamento do que a gente sente quando está lá.
E esse lance da música, como pra mim é muito importante, foi muito louco. Porque me fez escutar coisas que eu não escolheria escutar, talvez. Que não são coisas que fazem parte dos lugares que eu frequento e dos meus amigos. Eu ouço muito música pop. Então, tocava muito sertanejo lá, tocava muito pagode, axé antigo. E daí eles colocavam uma ou outra música pop pra mim. E foi por isso que eu me apegue com unhas e dentes a “Tamborzin, tamborzin”.
Manu Gavassi: evolução do visual e do figurino da cantora
Amanda Georgia/Arte/G1
G1 – E como foi ir criando a coreografia [de ‘Don’t Start Now’, da Dua Lipa]?
Manu Gavassi – Na primeira festa, que era a festa que eu mais estava me sentindo perdida, logo no começo, uma semana que eu estava pensando “meu Deus, o que que eu tô fazendo aqui?”, quando tocou essa música da Dua Lipa, nossa, eu dancei sozinha. E daí que começou assim.
Então, eu me apegava às músicas que tocavam que tinham a minha cara, mas também abriu muito a minha cabeça pra conhecer outros estilos, respeitar absolutamente todos os estilos e ver como música é terapêutico, como faz bem. Porque qualquer música que a gente conhecia, que a gente gostava de cantar junto ali, quando tocava fazia muito bem pra gente. Então, eu entendi o poder que tinha a música, terapêutico mesmo, lá.
G1 – A gente fez um levantamento no G1 mostrando que toda vez que você dançava, ela subia nas plataformas de streaming. A Dua Lipa chegou no top 10 do Spotify, a única gringa…
Manu Gavassi – Que loucura. E a coreografia foi uma maneira de eu me divertir sozinha, porque nas primeiras festas tinha uma galera que dançava funk, que sabia todas as coreografias e eu não sabia nada. Eu nem conseguia dançar dessa maneira. Eu nem sei. Então, essa era a única música que tocava que eu amava de paixão, eu me dedicava.
E daí, depois, todo mundo da casa. Eu comecei a ter intimidade com as pessoas da casa e eles começaram a perceber que eu fazia isso e começaram a me imitar de brincadeira. Então, de verdade, eu nunca imaginei que isso fosse virar alguma coisa.
Dua Lipa faz show surpresa no BBB e deixa Manu paralisada
Reprodução/TV Globo
G1 – Assim que você saiu da casa, qual notícia te deixou mais impressionada? Acho que algo relacionado a corona mesmo, né?
Manu Gavassi – O maior choque mesmo foi o corona, não tem como falar outra coisa, né? A gente pensava “Meu Deus, parece que tá grave, por esse texto dessa publicidade que a gente recebeu”. Daí no outro dia, a gente pensava: “Não, mas não tá grave. Eles teriam parado o programa, ou a gente teria mais informações”. Quando você não tem informação, você conspira muito, né? Quando eu saí e vi as pessoas de máscara, isso assustou muito, por eu não estar preparada. Vocês viveram isso de maneira gradativa, né? A gente foi jogada nesse mundo.
“Eu sempre brincava que a primeira coisa que eu iria perguntar seria: ‘Meu Deus, eu destruí minha carreira?’ Não, a primeira coisa que eu perguntei foi ‘Como as pessoas estão, qual a gravidade da situação, pelo amor de Deus?'”
G1 – Você sente que você foi uma pessoa nas primeiras semanas e outra pessoa do meio pro fim, quando o povo que o Tiago Leifert chamava de ‘sétima série’ começou a sair?
“Sinto que o primeiro mês eu estava bem apavorada. E acho que até por conta de terem perfis de pessoas com comportamento que eu abomino, que eram os meninos do começo, né? Então, isso me deixava mais travada, naturalmente, até mais protegida pelo fato de eu estar em um programa de TV e eu ter ciência disso.”
Eu acho que era um ambiente em que eu não me sentia segura. E depois eu fui, além de me acostumando, fazendo amizades. No primeiro mês, você ainda não entende direito, não dá valor a situações da casa, porque… pra mim, ainda era uma coisa meio distante: “Pô, que loucura. Isso daqui é um jogo e eles querem que a gente fale mal um do outro. Eu mal conheço essas pessoas para falar mal deles, gente”.
Então, eu me recusava a cair nessas ciladas que eles armam pra gente, sabe? Psicológicas. Porque isso atrapalha muito a convivência. E a convivência já estava muito difícil por conta de perfis de pessoas, de homens que têm comportamento que eu abomino. Então, eu decidi me preservar. “Como que eu sou eu e brinco com essa situação?” E por isso que eu brincava tanto nos jogos da discórdia.
Manu Gavassi em 2010, 2013 e 2019
Divulgação
Só que depois, eu fui me sentindo mais segura, eu fui tomando mais confiança, conhecendo mais as pessoas da casa, fui me sentindo mais segura no ambiente da casa também. E o jogo te pega pelo pé. Você tenta fugir e ele te arrasta pelo pé. Porque você tem que tomar a decisão de votar em alguém no domingo. O convívio começa a ficar um pouco mais complicado.
É uma coisa que eu achava antes que dava pra você fugir e eu descobri lá, vivendo, que em três meses não tem como você fugir. Você consegue fugir dessa sensação no primeiro mês. Mas não depois. Eu sinto que no primeiro mês era uma coisa, eu era bem mais travada. No segundo e no terceiro mês, eu já era completamente eu.
G1- Até chorou mais, né?
Manu Gavassi – Sim, chorei bem mais. Eu estava bem mais sensível e me permitindo ser vulnerável ali naquele ambiente.
Rafa, Thelma e Manu aguardam anúncio da vencedora do ‘BBB20’
Reprodução/Globo
G1 – E o que você pensa para sua carreira agora?
Manu Gavassi – Eu estou me respeitando muito nesse momento, sabe? Eu não quero correr com nada, quero ter muita certeza dos passos que eu dou. É uma experiência que eu respeito muito e eu tenho zero vergonha.
“Eu amo a imagem que eu tenho com o programa, porque é uma imagem real. Pela primeira vez as pessoas sabem quem eu sou: chorando, feliz, fazendo palhaçada, quando eu sou madura e me posiciono a respeito que eu acredito.”
Quando sou imatura e faço brincadeirinhas bobas que parece que eu tenho sete anos de idade, quando a gente fica mais crianção lá, né, por não ter uma hierarquia, não ter profissão, não tem nada… Você vira meio criança. Estou muito feliz pelo que as pessoas conheceram ao meu respeito e o que elas estão falando de mim, com a identificação que rola.
G1 – Uma entrevista para a Marília Gabriela, quando você tinha 19 anos, foi repostada nas redes sociais, a parte que você diz que seu maior medo é ‘não conseguir mostrar quem eu sou pras pessoas’. E você comentou no ‘BBB’ que seu empresário sempre dizia que queria que todo mundo conhecesse a Manu que toma café ali com ele…
Manu Gavassi – Eu vi que repostaram isso, essa frase da entrevista com a Gabi. Eu achei até muito curioso, né? Porque não é um medo normal, de você falar, de uma menina de 19 anos. Eu achei curioso ter falado isso e ser bem no início da minha carreira.
Dez anos depois, praticamente, de um ciclo de várias coisas que eu vivi, eu consegui mostrar dessa maneira pra um país inteiro quem eu sou, na minha essência. Então, eu achei muito bonito que é uma sensação de missão cumprida, sabe? É uma paz você ser conhecida por quem você é. Eu sinto que eu preciso me explicar muito menos.
Zeeba, Gee Rocha (ao centro) e Manu Gavassi no estúdio
Divulgação
G1 – A música com o Zeeba [‘Eu te quero’] era parte dos planos pós-‘BBB’?
Manu Gavassi – Não, ela não era. Foi um convite do Zeeba [cantor, voz de ‘Hear me now’, de Alok]. Eu acho super talentoso, a produção é do Gee Rocha [ex-NX Zero], que eu conheço desde que eu comecei. Como eu gostava muito dos dois, eu super topei.
Ele tinha o refrão em inglês e queria que eu fizesse a parte em português, o meu verso e um pré-refrão. E foi super tranquilo de fazer. A gente fez em dez minutos no estúdio. Ficou super legal, adorei trabalhar com ele, mas não era nada pensado. Eu nem sabia que ia entrar no BBB, quando a gente gravou.
“Fazia tempo que não tinha uma parceria musical. É até algo que eu tenho nos meus planos. Me juntar com a galera que eu admiro. Só penso em fazer um álbum mais pra frente, sabe? Seria uma solução legal me juntar a artistas que eu curto e fazer parcerias. Então, essa é a primeira.”
G1 – Você viu a Ludmilla cantando ‘Planos impossíveis’ e caindo na piscina?
Manu Gavassi – Isso eu vi, fizeram questão de me mostrar. Eu sou apaixonada na Ludmilla. Eu acho ela demais. Achei engraçadíssimo [risos].
Manu Gavassi
Divulgação/Rodolfo Magalhães
G1 – O que você pode adiantar da série? Vai ter a mesma pegada dos vídeos da série no YouTube, e dos vídeos feitos pro ‘BBB’?
Manu Gavassi – Ano passado inteiro, eu passei estudando roteiro, depois de ter feito esse experimento do “Garota Errada”, no ano retrasado, que foram os cinco primeiros vídeos… Eu comecei a estudar muito roteiro, ler muito e entender que era algo que eu queria me aventurar.
O que eu mais gosto é de contar histórias, até mais do que cantar, mais do que ser intérprete. Eu nunca gravei uma música que não fosse minha. Pra falar que eu nunca gravei, mentira. Eu gravei com 16 anos uma música do Lucas Silveira, da Fresno. Que foi quem produziu esse meu último EP.
Então, eu gosto de contar as minhas histórias. Por isso eu me aventurei em roteiro. E agora eu me sinto pronta pra dar outro passo e crescer. Criar minha própria série é um sonho. E agora me juntando às pessoas certas eu me sinto preparada. Então, esse é meu foco no momento. É desenvolver isso da melhor maneira possível, tomar as melhores decisões e começar a trabalhar nisso. Que é algo que toma muito tempo, né?
G1 – O que você já tem pronto pra série?
Manu Gavassi – Cara, eu tinha três episódios de 30 minutos. Já estava bem encaminhado no ano passado e eu parei tudo e fiz essa versão BBB, do “retiro espiritual” [pílulas divulgadas nas redes sociais dela, durante o reality].
Não é a série, mas tem a alma da série. Ela mostra bem a personagem, meu jeito de falar, como minha cabeça funciona, como é meu raciocínio, minhas dúvidas, meus medos, o lance da ironia e nos vídeos é até mais, porque, enfim, é roteirizado.
G1 – Os vídeos pro ‘BBB’ têm texto, piadas desses roteiros?
Manu Gavassi – Sim, têm piadas que eu usei. Por exemplo, a Olga, que é a minha versão senhora de 80 anos que não gosta de festas. Era uma piada que eu já fazia no roteiro. Então, várias situações que são mesmo baseadas na minha vida e piadas que eu faço com os meus amigos, em coisas que fazem parte de mim e da minha personalidade, eu usei na série, no vídeo.
Por isso que eu falo que tem a alma da minha personagem de mim mesma. Vou começar a reestruturar tudo, tomar decisões. Então, estou indo com bastante calma, porque é meio que o projeto da minha vida até agora. Estou analisando as propostas e tomando todas as decisões com bastante calma. Eu acho que é momento de fazer isso até pela visibilidade que eu atingi.
Manu Gavassi em 2015
Divulgação/We are Alive Agency
G1 – Mas isso quer dizer que você vai se dedicar menos à música?
Manu Gavassi – Não sei menino, porque eu sou tão doida que eu não consigo fazer uma coisa só, né? Então, com certeza eu vou lançar músicas, eu vou lançar “featurings”. Então não sei em que modelo eu vou lançar músicas, mas eu sei que eu vou neste ano.
Eu sei que não vou abandonar a música não. Até porque eu fiquei feliz demais de ver a proporção que, por exemplo, “Áudio de desculpas”, que era uma música lado super B. Que a maioria das pessoas não conhecia.
E saber que ela entrou na maior playlist de pop do Brasil de maneira orgânica. Que ela passou “Planos impossíveis”, que até então era meu maior hit desde que eu era bem novinha. Então, me dá um gás de trabalhar com isso, me dá muita felicidade, sabe? De ousar mais.
G1 – Você já disse que conheceu e passou a dar mais valor a outros estilos, ouvindo no ‘BBB’. Quem, por exemplo?
Manu Gavassi – Ó. Pra mim, Marília Mendonça virou minha rainha. Eu gosto de grandes contadores de histórias na música, gosto de quem escreve letras e conta uma historinha. Pra mim, ela é demais. É alguém que passei a admirar muito porque tive acesso às músicas dela lá. Dilsinho, eu amei de paixão, gente, nunca pensei que eu fosse tão pagodeira. Pagode também, quando sofre, esse é meu fraco. Eu adoro música de sofrência. Isso engrandece tanto você não só como pessoa, mas no meu trabalho.
“Eu sei que meu meio e as pessoas que são “blasé” do meu meio tinham preconceito enorme com reality show. Era algo que até amigos próximos, que eu convivia, tinham. Até por isso eu não contei pra ninguém [do ‘BBB’].
“Foi como quebrar todos os meus preconceitos, todos caíram por terra. Dessa bolhinha blasé da música, sabe? Realmente, eu me diverti lá dentro, foi uma das melhores e mais difíceis experiências da minha vida. E eu acho que me engrandeceu como ser humano.”
Acho que quando você está aberto a entender o outro mesmo quando foge da sua zona de conforto, isso te engrandece muito. Eu sou muito grata por isso. É a maior mudança que eu sinto em mim mesma.
G1 – Eu perguntei do corona no geral e na música, mas não perguntei como essa situação está te afetando mais pessoalmente. Como ele te afetou?
Manu Gavassi – Tem a distância das pessoas que eu amo, por exemplo meus avós. Estou morrendo de saudades dele e a gente tem se falado por Facetime. Até meu pai, que já está mais ou menos no grupo de risco também, a gente tem tomado muito cuidado. Eu vi ele só uma vez e a gente está tentando não se ver e se falar mais por telefone. Então, eu quero entender como é agir da maneira mais responsável. Eu ainda estou vendo como isso me afeta. Daqui pra frente, eu vou entender como esse novo confinamento me afeta. Mas eu acho que a princípio é a saudade das pessoas que eu amo. Eu já estou há 100 dias separada de todo mundo, né?
Os planos do top 5 do ‘BBB20’ para depois do programa