‘Duna’ enxuga excessos do livro e vai direto ao ponto em ótima adaptação desenfreada; g1 já viu


Diretor Denis Villeneuve reforça maestria em ficção científica com elenco excelente encabeçado por Timothée Chalamet, Zendaya, Oscar Isaac, Jason Momoa e Josh Brolin. Em Denis Villeneuve você pode confiar. O cineasta franco-canadense, responsável por “A chegada” (2016) e “Blade Runner 2049” (2017), mostra mais uma vez sua maestria em ficção científica com a nova versão de “Duna”, que estreia nesta quinta-feira (21) nos cinemas brasileiros.
Além de um ótimo exemplar do gênero, o filme também funciona como uma excelente adaptação do clássico de Frank Herbert. Ao enxugar excessos da obra de 1965, vai direto ao ponto e constrói um clima de urgência com visuais deslumbrantes.
Tudo isso somado a um elenco invejável – com direito a Timothée Chalamet (“Me chame pelo seu nome”), Zendaya (“Euphoria”), Oscar Isaac (“Star Wars: A ascensão Skywalker”) Jason Momoa (“Aquaman”) e Josh Brolin (“Vingadores: Ultimato”) – faz com que a duração de duas horas e 35 minutos passe em um piscar de olhos e sirva como um começo deslumbrante a uma inevitável franquia.
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Assista ao trailer de ‘Duna’
Mitologia, livro e versões anteriores
Até o fã mais apaixonado pela saga literária precisa admitir que uma mitologia complexa faz com que o começo denso e lento do primeiro livro seja bem difícil de ultrapassar, principalmente para aqueles sem familiaridade com a história.
Com o foco em um ritmo mais acelerado, Villeneuve avança a trama com habilidade, ao mesmo tempo em que consegue apresentar seu universo habitado por imperadores, viagens interestelares, seitas religiosas com membros superpoderosos e monstros gigantescos.
Zendaya e Timothée Chalamet em cena de ‘Duna’
Divulgação
O enredo é basicamente o mesmo. Em um futuro distante, no qual a humanidade se espalhou pelo universo em um império baseado em um sistema feudal, um jovem herdeiro deve lidar com a mudança de sua família nobre como encarregada de um novo planeta.
Além de enfrentar as ameaças do mundo árido mas cheio de promessas e riquezas únicas, eles devem também superar os perigos deixados pelos antigos líderes da região, seus maiores inimigos.
As escolhas por algumas adaptações e correções se mostram ainda mais acertadas para quem assistiu ao filme de David Lynch. A versão de 1984 do renomado cineasta, por mais ousada que seja para a época, muda bastante da obra original, mas – entre inúmeros problemas – faz pouco para facilitar o acesso do público geral.
Josh Brolin, Oscar Isaac e Stephen McKinley Henderson em cena de ‘Duna’
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Bom de ver e de ouvir
Mais acessível, o filme corre bem com suas alegorias sobre relações de poder, política e religião, e consegue até conter alguns dos aspectos mais datados da história, como o clichê do branco salvador, com um elenco mais diversificado – por mais que Chalamet seja tão branco quanto um urso polar em uma nevasca no Alasca.
Sem as quebras de ritmo, a produção tem espaço para se dedicar aos aspectos técnicos. Desde a cenografia, que traduz com uma exatidão admirável os ambientes descritos por Herbert, aos belíssimos efeitos visuais, “Duna” se exibe como um dos filmes mais bonitos de 2021.
Até a trilha de Hans Zimmer (“A origem”), muitas vezes histriônico a ponto de querer mais atenção do que a história que deveria elevar, combina com a atmosfera urgente e desenfreada da trama.
Nesse clima, cada um dos atores do elenco inchado e extremamente carismático consegue conquistar seus momentos. Em certo momento, o público mais distraído pode até se surpreender com a aparição de mais um nome esquecido, como Javier Bardem (“Mãe!”).
Jason Momoa em cena de ‘Duna’
Divulgação
São tantos nomes de peso que o elo mais fraco recai exatamente sobre Chalamet, que em alguns momentos não parece tão entregue à ópera espacial cheia de ação em que foi se meter.
Ele tem muito a crescer ao lado de Zendaya, mas infelizmente quando o par finalmente cruza caminhos o enredo dessa “Parte 1” já se aproxima do fim.
O gostinho de que “Duna” se trata de um prólogo excelente para um desfecho futuro é inevitável ao final e poderia até ser amargo. No entanto, diz muito sobre o prazer de acompanhar a introdução dessa grande aventura.
Afinal, nunca é um sinal ruim quando duas horas e 35 minutos passam tão rápido que o desejo por mais sobrevive pelos créditos finais – e até por uns bons dias após o fim da exibição.
Stellan Skarsgård em cena de ‘Duna’
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