‘Druk – Mais uma rodada’ mostra crise de meia-idade com humor, álcool e melancolia; G1 já viu


Longa dinamarquês é favorito ao Oscar de Filme Internacional. Diretor Thomas Vinterberg fica no meio do caminho entre fazer apologia à bebedeira e se entregar a um porre de moralismo. Initial plugin text
Favorito ao Oscar de Melhor Filme Internacional, “Druk – Mais uma rodada” estreia nesta quinta-feira (25) no Brasil, nos poucos cinemas abertos e em plataformas de streaming.
O filme dinamarquês reúne o diretor Thomas Vinterberg, o roteirista Tobias Lindholm e o ator Mads Mikkelsen. O trio retoma a parceria de “A caça”, indicado ao Oscar em 2013. De novo, eles entregam um dos melhores concorrentes desta temporada de premiações.
Zoom ‘proibido’, transmissão em 2 lugares e filmes da internet: Como será o Oscar pandêmico de 2021
Vinterberg, que também assina o roteiro, segue um professor de história em um colégio (Mikkelsen) vivendo uma crise de meia-idade.
Assista ao trailer de ‘Druk – Mais uma rodada’
Ele e outros amigos passam a botar em prática a teoria do psiquiatra norueguês Finn Skarderud. Segundo ele, um acréscimo de 0,05% na quantidade de álcool no sangue seria o segredo para uma vida mais feliz e produtiva.
O experimento de ficar um pouquinho bêbado o dia todo começa com uma ode às bebidas (com citações a Churchill, Roosevelt e Angela Merkel como bons exemplos da teoria), mas passa também por uma série de contratempos, é claro.
Mesmo assim, o filme consegue ficar no meio do caminho entre fazer apologia à bebedeira e se entregar a um porre de moralismo. Vinterberg já resumiu o longa como “uma celebração ao álcool”.
Mads Mikkelsen sobe em um banco nos bastidores do filme ‘Druk’
Divulgação
“Druk” acabou virando também uma celebração à filha do cineasta dinamarquês. O filme marcaria a estreia de Ida Vinterberg como atriz.
Ela seria a filha do protagonista, mas morreu logo antes do começo das filmagens, em um acidente de carro. A perda da filha de 19 anos fez o projeto ser adiado.
Na retomada das gravações, as cenas em que os atores tropeçam e pulam com menos equilíbrio do que noção ganharam outro sentido. O elenco estava ali, na frente da câmera, disposto a tudo para fazer Vinterberg sorrir. Mesmo que fosse de leve.
Cena do filme ‘Druk’
Divulgação
Essa crueza nas performances e nas filmagens faz lembrar que o diretor é um dos nomes do Dogma 95, movimento também liderado pelo compatriota Lars Von Trier em busca de um cinema mais realista e sem tantos recursos (luz natural, câmera na mão, música ambiente).
Em todo filme, parece que estamos vendo, de fato, caras bêbados tentando viver a vida de uma forma mais plena. Só isso. É bom acrescentar, porém, que Vinterberg não deixou que eles bebessem de verdade no set.
É só para homem dar risada?
É um filme sobre álcool, mas “Druk” é sobretudo um filme sobre homens de meia-idade que deixam família e trabalho em segundo plano. O sentido da vida é encontrado no tal do bromance, uma intensa amizade entre homens.
O experimento, no fim, soa como uma desculpa para os amigos estarem juntos. É essa relação que conduz o filme e pode fazer com que homens de mais de 30 anos vejam mais graça na história do que outras pessoas.
Mas a força desta tragicomédia pode inebriar uma parte menos restrita da audiência. É provável que ficar vendo machos inseguros, trôpegos e expostos aperte botões diferentes em cada um. Ou cada uma.
Semana Pop explica temas do cinema