‘Dreams’, plataforma social de criação de games, sonha em ser um universo digital


Lançamento do PlayStation 4 permite que usuários criem seus próprios jogos e animações. ‘Fico ansioso pelo dia em que um game tenha mil pessoas trabalhando juntos’, diz desenvolvedor. À primeira vista, “Dreams” até parece um game. Lançada para o PlayStation 4 na sexta-feira (14), a nova criação da Media Molecule (de “LittleBigPlanet”) é na verdade uma plataforma social que:
dá aos usuários ferramentas para desenvolverem seus próprios jogos, músicas e animações;
disponibiliza as criações para que outras pessoas possam usar;
permite que todos possam jogar ou assistir aos projetos, chamados de “sonhos”.
Pode parecer uma ideia um tanto simplista ou absurda, mas “Dreams” tem colecionado críticas positivas desde seu lançamento, e já conta com um número considerável de jogadores e criações. Eles vão desde games de plataforma a aventuras focadas em narrativas noir ou combates com naves.
Segundo os desenvolvedores, a plataforma soma mais de 300 mil sonhos até agora. A maioria foi lançada durante o período de acesso antecipado, aberto em abril de 2019, mas a empresa tem observado um crescimento grande da produção nos últimos dias.
Com a possibilidade de criar pequenos – e completamente diferentes – mundos dentro de “Dreams”, e de controlar seus próprios avatares, não é difícil ver o potencial da plataforma em se tornar um grande universo virtual, na qual jogadores podem se encontrar, trabalhar juntos e explorar.
Assista ao trailer de ‘Dreams’
Algo parecido ao Metaverso criado por Neal Stephenson no livro “Nevasca”, chamado de Oasis em “Jogador Nº 1”, de Ernest Cline, ou ao “Second life”, uma rede social que colocava seus usuários em um ambiente digital comum que foi popular nos anos 2000.
“Quando falamos sobre algo como o Oasis, ou qualquer tipo de espaço virtual, pensamos em qual é a melhor versão que ‘Dreams’ pode ser. Queremos transformar as viagens entre jogos e ambientes em algo excitante”, diz o diretor técnico da Media Molecule, David Smith, em entrevista por telefone ao G1.
“Sempre fomos influenciados por visões do futuro. Essa sensação de liberdade e de exploração desses lugares mágicos. Queremos totalmente trabalhar mais em evoluir isso. Viajar tranquilamente pelos espaços. Torná-lo mais social.”
Uma das criações disponíveis em ‘Dreams’
Divulgação/PlayStation
De dezenas a milhares
Smith conta que o projeto teve início há cerca de oito anos, resultado do sonho de todo desenvolvedor: dar a jogadores as ferramentas de criar seus próprios games.
No começo, eram dez pessoas trabalhando em “Dreams”. Nos últimos quatro anos, toda a equipe assumiu a tarefa, e o número subiu para cerca de 80, algo até modesto para um grande lançamento por mais que seu preço (R$ 164,90) seja menor que o de gigantes, que geralmente cobram no mínimo R$ 200.
Desde seu lançamento, no entanto, é como se a plataforma contasse com centenas de milhares de desenvolvedores de todo o mundo.
A gerente de comunicação da Media Molecule, Abbie Heppe, não sabe o número exato de usuários, mas lembra que a Rainha dos Sonhos, espécie de guia para os novatos, conta com cerca de 200 mil seguidores dentro do universo.
Uma das criações disponíveis em ‘Dreams’
Divulgação/PlayStation
“É claro, quem quiser pode deixar de segui-la, então esse número de criadores no núcleo deve ser ainda maior”, afirma ela.
Com a possibilidade de usar criações de outros usuários, a comunidade já começa a trocar experiências e atingir resultados como uma equipe.
“Não sei se temos alguma forma de observar isso, mas estou ansioso pelo dia em que um lançamento em ‘Dreams’ tenha mil pessoas trabalhando juntos. Sei que vamos chegar lá”, diz Smith.
“Não sei se teremos mil pessoas se comunicando ao mesmo tempo, mas acho que podemos ter diferentes times que usaram coisas criadas por outras.”
Uma das criações disponíveis em ‘Dreams’
Divulgação/PlayStation
Direitos de jogos para jogadores direitos
Com tantas ferramentas, os sonhadores têm aproveitado para recriar alguns de seus jogos favoritos na plataforma. Não é raro encontrar uma versão de “Fallout” em “Dreams”, ou de “Red Dead Redemption”.
Smith conta que não há preocupações com aborrecimentos por parte das empresas criadoras de tais marcas.
“Queremos dar total liberdade a nossos criadores. Funciona mais ou menos como o YouTube. Se o dono de alguma marca não gostar e pedir, nós tiramos do ar”, diz o produtor.
A questão de direitos é delicada também envolvendo os sonhos dentro da plataforma. No contrato de uso que usuários assinavam no acesso antecipado, a Media Molecule garante seu direito de usar qualquer conteúdo produzido em “Dreams” sem pagar ou avisar os criadores.
Mesmo assim, a comunidade parece não se importar e continua crescendo. Pelo menos por enquanto, o objetivo é criar novos mundos.
Uma das criações disponíveis em ‘Dreams’
Divulgação/PlayStation