Dora Morelenbaum debuta solo em disco com a marca sonora do pai, Jaques Morelenbaum


Cantora lança o single ‘Dó a dó’ com música composta em parceria com Tom Veloso. Capa do single ‘Dó a dó’, de Dora Morelenbaum
Lucas Nunes
Resenha de single
Título: Dó a dó
Artista: Dora Morelenbaum
Compositores: Dora Morelenbaum e Tom Veloso
Edição: Alá / Altafonte
Cotação: * * *
♪ Filha do violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum com a cantora Paula Morelenbaum, a carioca Dora Morelenbaum debuta solo em disco – com o single Dó a dó, lançado na quinta-feira, 13 de outubro – sem ocultar o sobrenome famoso na dinastia da MPB.
Jaques é músico e arranjador associado à discografia de Caetano Veloso na fase que vai dos anos 1990 até 2004. Paula foi vocalista do grupo Céu da Boca, integrou a Banda Nova – com a qual correu o mundo ao lado do maestro Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) – e desenvolve carreira solo desde os anos 1990 entre o Brasil e o exterior.
Curiosamente, Dora dá o pontapé inicial na carreira solo – após ter atuado de 2013 a 2017 com o grupo vocal Zanzibar e ter feito gravações em discos alheios – em parceria com Tom Veloso, filho caçula de Caetano. São de Tom os versos de Dó a dó.
Atualmente com 24 anos, a cantora e compositora debutante ganhou a letra de Tom em 2019, como presente de aniversário do ano passado. Desse encontro da segunda geração das duas famílias, veio Dó a dó, canção de alma antiga que parece vir de algum lugar do passado da música brasileira da década de 1950.
Esse desprendimento da cena musical contemporânea – salutar, pois sinaliza que está surgindo cantora com personalidade própria que se recusa a ir atrás do som e do produtor musical da vez – é o que mais chama atenção no single Dó a dó depois do (requintado) arranjo de cordas orquestradas e regidas por Jaques Morelenbaum.
As cordas envolvem a canção em ar suntuoso no arranjo em que se ouve também o toque do violão de Tom Veloso e o dedilhar da harpa de Silvia Passaroto.
Sem impressionar (mas tampouco decepcionar) como cantora, Dora Morelenbaum deixa boa impressão inicial. Mas é preciso esperar outros discos para ver se a artista debutante vai caminhar realmente sozinha no mercado e firmar a própria assinatura na música brasileira.
Por ora, a marca sonora do pai, Jaques Morelenbaum, ainda salta primordialmente aos ouvidos em Dó a dó pelo majestoso arranjo de cordas.