Documentário sensorial foca Mateus Aleluia em ‘equilíbrio na corda bamba’


Em cartaz no 12º festival ‘In-Edit Brasil’, o filme abre mão da informação para enfatizar a jornada espiritual do artista projetado como vocalista do grupo Os Tincoãs. Resenha de documentário musical
Título: Aleluia – O canto infinito do Tincoã
Direção: Tenille Bezerra
Cotação: * * *
♪ Filme em exibição online no 12º In-Edit Brasil – Festival internacional do documentário musical até 20 de setembro.
♪ “A arte é um sopro”, conceitua Mateus Aleluia ao fim de documentário sensorial que perfila esse artista nascido em Cachoeira (BA), cidade do Recôncavo Baiano, e projetado nos anos 1970 como vocalista da formação mais importante do grupo Os Tincoãs.
Em cartaz até domingo, 20 de setembro, na 12ª edição do festival In-Edit Brasil, o documentário Aleluia – O canto infinito do Tincoã foca o cantor, compositor e músico entre rios, matas e terreiros.
A natureza é cenário natural desse filme em que a cineasta baiana Tenille Bezerra abre mão da informação para enfatizar a espiritualidade do artista – motor da criação do cancioneiro afro-barroco de Aleluia – em ritmo sereno como a alma desse cantor de 77 anos completados em 10 de setembro.
Sem a preocupação de historiar a trajetória de Aleluia (ainda que exiba imagens raras de apresentações do grupo Os Tincoãs em shows e em programas de TV das décadas de 1960 e 1970), a diretora acompanha Aleluia em jornada espiritual que vai da Bahia até Luanda, capital da Angola, país da África em que o Tincoã viveu entre os anos 1980 e 1990. Polo de espiritualidade, a África é o ponto de partida e de chegada do canto de Aleluia.
Mateus Aleluia em frente a um terreiro de Cachoeira (BA), cidade natal do artista
Reprodução / Vídeo
Entre silêncios e contemplações, Aleluia divaga sobre a arte e a vida. “A arte é que te dá o equilíbrio na corda bamba”, pondera o cantor, na fala mais indicativa de que, por trás do semblante contemplativo de Aleluia, também há um espírito humanizado em ebulição.
Ao discorrer sobre “o sentimento de recuo e de desconfiança” que acompanha a jornada existencial de quem vem ao mundo no Recôncavo Baiano, o artista também deixa entrever inquietude cotidianamente diluída pela paz interior aparentemente alcançada por Aleluia pelo culto da espiritualidade ancestral.
“Aquilo que a gente não vê é a única realidade real. O que não apalpamos é o concreto”, sentencia, diante da porta do terreiro Iciminó, da cidade natal de Cachoeira (BA), reforçando a crença na espiritualidade em filme indicado não para quem busca informação sobre a carreira do Tincoã, mas, sim, o tal equilíbrio na corda bamba da vida.