Dislexia pode trazer dificuldade nos estudos, como filhos de Beckham

Segundo Victoria Beckham, ela e os filhos teriam dislexia

Segundo Victoria Beckham, ela e os filhos teriam dislexia
Reprodução/Instagram

A dislexia, para Victoria Beckham, já é uma velha conhecida da família. Em uma entrevista ao site britânico Financial Times, em março deste ano, a estilista e ex-Spice Girl alegou que ela e seus filhos sofrem com dislexia, afirmando que eles nunca tiveram um bom desempenho na escola. Ela também se autodiagnosticou com o problema. Entretanto, segundo o psicólogo Luiz Gustavo Sini, da ABD (Associação Brasileira de Dislexia), identificar o problema vai além do bom desempenho escolar.

A dislexia é um transtorno de aprendizagem neurobiológico de caráter genético e hereditário que afeta o processo de leitura e escrita. De acordo com Sini, os primeiros sinais aparecem logo no início da alfabetização, que pode ser mais demorada, com a troca de letras, dificuldade na leitura e na escrita, podendo ter o diagnóstico ainda na infância ou quando adulto.

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Para que a dislexia seja identificada, o paciente deve passar por uma série de avaliações por diferentes profissionais, entre eles fonoaudiólogo, neurologista, psicopedagogos, além de exames de audição, exame oftalmológico e questionários, que devem ser respondidos pelos pais e pelos professores de português e de matemática, que são os que costumam passar mais tempo com as crianças na escola.

No caso de pacientes adultos, o formulário que seria entregue aos pais é submetido ao próprio paciente para que ele responda questões sobre suas frustrações com a leitura ou com a escrita.

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Após a avaliação completa, descartando outros problemas que poderiam interferir no aprendizado, como problemas como a miopia, o paciente é encaminhado para o tratamento, que é determinado conforme as características mais marcantes do paciente. De acordo com Sini, entre as crianças, o tratamento costuma focar mais em estímulos de linguagem, junto a um fonoaudiólogo.

Já entre adolescentes e adultos, geralmente, o tratamento é mais focado na abordagem psicopedagógica. “Nesses pacientes, principalmente os adultos, pode haver um quadro de depressão por conta das dificuldades de aprendizagem que eles passaram, em que eles acreditaram que eram burros antes de receber o diagnóstico. Então a gente precisa trabalhar primeiro essa depressão antes de iniciar o tratamento para a dislexia”, explica Sini.

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O psicólogo afirma que, embora cerca de 75% dos pacientes com dislexia também tenham TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), que deve ser tratado com medicamentos, a dislexia em si não requer uso de remédio para o tratamento, que é baseado, exclusivamente, no estímulo da aprendizagem desses pacientes.

Sini afirma que a duração do tratamento pode variar de acordo com as necessidades e facilidades de cada um, mas é importante que ele seja feito de maneira constante, visando sanar as dificuldades do paciente. 

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O psicólogo explica que dificuldade no aprendizado e diferente da dislexia, que é um transtorno de aprendizagem. No primeiro caso, a dificuldade diminui com o tempo; no segundo, permanece. 

De acordo com Sini, é importante que, logo nos primeiros sinais, os pais levem seus filhos para uma avaliação e, caso os pais da criança tenham dislexia, a criança pode iniciar o tratamento antes mesmo do início da alfabetização.

Para evitar que a criança disléxica passe por constrangimentos por parte de outros colegas, o psicólogo afirma que é importante informar e sensibilizar as outras crianças sobre o problema, frisando que cada um tem seu tempo e dificuldades de aprendizagem.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini