Diretores são suspeitos de facilitar entrada de celulares nos presídios Ceará, diz MPCE


Operação do Ministério Público afastou sete servidores com ‘cargos estratégicos’ no sistema prisional do Ceará. Eles também são suspeitos de dificultar fiscalização nas unidades prisionais. Servidores formavam organização criminosa para dificultar fiscalização nos presídios do Ceará
TV Verdes Mares/Reprodução
Os servidores afastados de “cargos estratégicos” da Secretaria da Justiça, responsável pelo sistema prisional no Ceará, são suspeitos de formar uma organização para facilitar a entrada de celulares nos presídios e dificultar as fiscalizações nas unidades prisionais, conforme o Ministério Público do Estado.
Os servidores afastados são agentes penitenciários e diretores de unidades prisionais. Outras duas pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo durante operação realizada nesta segunda-feira (12).
“Os suspeitos participavam ativamente da tomada de decisões relevantes no sistema penitenciário, buscando a nomeação de integrantes do grupo em cargos importantes, bem como o afastamento de pessoas alheias à associação criminosa de funções de direção da Sejus”, afirma o Ministério Público.
“Um dos objetivos era manipular a fiscalização sobre as unidades prisionais quando realizada por parte de autoridades competentes”, continua o órgão.
A maior parte dos crimes de homicídio no Ceará têm presos com acesso a celulares como mandantes dos assassinatos, conforme a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social. Na semana passada, uma operação identificou e cumpriu mandados de prisão contra 45 mandantes de crimes que já estão presos.
O G1 procurou a Secretaria da Justiça do Ceará e aguarda posicionamento da pasta.
Entrada de celulares e tortura
A operação realizada nesta segunda-feira leva o nome de Masmorras Abertas, em referência ao “fácil acesso” de presos aos celulares, o que lhes permite comunicação com “parceiros do crime e agentes penitenciários”.
Segundo o Ministério Público, foram realizadas interceptações telefônicas com autorização da Justiça, e análise de investigações preliminares instauradas na Controladoria Geral de Disciplina (CGD).
Os servidores afastados também são suspeitos de tortura, associação criminosa, inserção de informações falsas no sistema de informação da Secretaria da Justiça, corrupção passiva, omissão na fiscalização de entrada de celulares e material proibido nos presídios e violação de sigilo profissional.
A investigação do MPCE foi iniciada em maio de 2016, logo após a crise no sistema penitenciário de 2015. Naquele ano, o Ceará registrou uma sequência de fugas e rebeliões nos presídios, após uma greve dos agentes penitenciários.
Os trabalhos avançaram em dezembro de 2017, com a representação dos suspeitos, após a formalização de um Termo de Cooperação Técnica entre o MPCE e a CGD.

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