Desastres climáticos mataram 2 milhões de pessoas nos últimos 50 anos, diz agência da ONU


A organização explica que mais de 91% das mortes aconteceram em países em desenvolvimento. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) espera que sua revisão ajude a salvar vidas. O rio Ahr passa por casas destruídas em Insul, na Alemanha, em 15 de julho de 2021. O rio transbordou e causou rastro de destruição devido às fortes chuvas.
Michael Probst/AP
O número de desastres, como inundações e ondas de calor, causados ​​pela mudança climática, aumentou cinco vezes nos últimos 50 anos, matando mais de 2 milhões de pessoas e custando 3,64 trilhões de dólares em perdas totais, informou a ONU em um relatório divulgado nesta quarta-feira (1º).
Segundo o documento, mais de 91% das mortes aconteceram em países em desenvolvimento.
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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirma que seu “Atlas” é a análise mais abrangente sobre mortalidade e perdas econômicas provocadas por desastres vinculados a fenômenos meteorológicos extremos.
A OMM examinou cerca de 11 mil desastres ocorridos entre 1979 e 2019, incluindo grandes catástrofes como a seca de 1983 na Etiópia (o evento mais fatal, com 300 mil mortes) e o furacão Katrina em 2005 (o mais caro, com perdas de 163,61 bilhões de dólares).
O relatório mostrou uma tendência de aceleração, com o número de desastres aumentando quase cinco vezes da década de 1970 até a década mais recente, acrescentando sinais de que eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes devido ao aquecimento global.
A OMM atribuiu a frequência crescente tanto às mudanças climáticas quanto à melhoria dos relatórios de desastres.
Foto tirada em 31 de agosto de 2017 – Homem protege seus pertences em uma rua inundada após passagem do furacão Harvey em Houston, nos EUA
Adrees Latif/Reuters
Os custos dos eventos também aumentaram de 175,4 bilhões de dólares na década de 1970 para 1,38 trilhão de dólares na década de 2010, quando tempestades como Harvey, Maria e Irma devastaram os Estados Unidos.
“O número de fenômenos extremos está aumentando. Devido à mudança climática, estes serão mais frequentes e severos em muitas partes do mundo”, afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
Mas enquanto os perigos se tornaram mais caros e frequentes, o número anual de mortes caiu de mais de 50 mil na década de 1970 para cerca de 18 mil na década de 2010, sugerindo que um planejamento melhor estava valendo a pena.
“Sistemas aprimorados de alerta precoce de múltiplos perigos levaram a uma redução significativa na mortalidade”, acrescentou Taalas.
A OMM espera que o relatório seja usado para ajudar os governos a desenvolver políticas para melhor proteger as pessoas.
O relatório também aponta que apenas metade dos 193 membros da OMM têm sistemas de alerta precoce de múltiplos perigos.
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