Demissão de coordenadores do Inep não deve atrapalhar aplicação do Enem, opinam especialistas


Coordenador-geral de exames para certificação e o coordenador de logística da aplicação pediram para serem exonerados de seus cargos a 16 dias do Enem 2021. Sede do Inep em Brasília
Inep/MEC
A exoneração de dois coordenadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ligados ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) às vésperas da aplicação da prova já repercute dentro e fora do órgão. No entanto, a preocupação de que isso possa impactar a realização da prova, prevista para 21 e 28 de novembro, não se justifica, de acordo com o ex-presidente do órgão, Reynaldo Fernandes.
“São dois cargos que estão diretamente ligados à aplicação da prova, mas, faltando tão pouco tempo [para a aplicação], é de esperar que tudo esteja encaminhado e que as demissões não causem qualquer impacto neste sentido”, explica.
Na tarde desta sexta-feira (5), o g1 teve acesso aos pedidos de exoneração de Eduardo Carvalho, que ocupava o cargo de coordenador-geral de exames para certificação, e de Hélio Junio Rocha Morais, então coordenador-geral de logística da aplicação.
A presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) Maria Helena Guimarães Castro concorda com o ex-presidente do órgão.
“O Inep coordena o exame, mas não é responsável pela aplicação e execução das provas. As empresas que cumprem essa função já foram contratadas e licitadas e o órgão tem muitos outros outros funcionários que podem cumprir as funções em aberto”, opina.
Segundo ela, as demissões não causariam tanto alarde se não tivessem acontecido tão próximas do exame. “A esta altura, tudo já deve estar encaminhado. Exonerações acontecem sempre, o órgão deve estar preparado para lidar com isso”, afirma Maria Helena.
O Inep não comenta se as demissões de fato impactam o Enem ou não. Enquanto isso, os servidores estão inquietos. Para alguns, a decisão de Eduardo Carvalho e Hélio Junio é um uma consequência da assembleia realizada na quinta-feira (4) que denunciou a “falta de comando técnico” da presidência do Inep na organização do Enem.
“As demissões são de responsabilidade da gestão e é algo que nos preocupa enquanto servidores do Inep. Mas estamos vendo a necessidade do momento, já que estamos nos unindo para alertar a sociedade dos riscos essa gestão atual está trazendo para o Enem e para outros exames”, disse um funcionário do órgão.
Na assembleia, servidores denunciaram o risco de prejuízos durante a prova, que, segundo relatos, está sendo elaborada sem a atuação das Equipes de Incidentes e Resposta (ETIR), por decisão “arbitrária e unilateral” de pessoas com cargos de chefia, ligadas à presidência do instituto, comandada por Danilo Dupas.
Para Maria Helena, no entanto, os candidatos inscritos não devem se preocupar.
“Que todos continuem estudando e se preparando para o exame”, aconselha.
Exoneração de coordenadores
O coordenador-geral de exames para certificação do Inep, Eduardo Carvalho, e o coordenador-geral de logística da aplicação, Hélio Junio Rocha Morais, pediram exoneração de suas funções.
Os cargos estão diretamente ligados à aplicação do Enem, que está previsto para acontecer nos dias 21 e 28 de novembro.
As exonerações acontecem cerca de um mês e meio após o pedido de demissão de Daniel Miranda Pontes Rogério, então diretor de tecnologia do Inep, responsável pelo Enem digital. Rogério foi posteriormente substituído por Roberto Santos Mendes.
Além desta avaliação, os coordenadores também tinham parte na aplicação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).