Defensoria alerta polícias para risco de confronto entre brasileiros e venezuelanos durante protesto em Boa Vista


DPU expediu recomendação para que a PM reforce a segurança na Praça Simón Bolívar, onde protesto organizado por brasileiros deve ocorrer no sábado (24). Na segunda (19), moradores de Mucajaí expulsaram e queimaram bens de venezuelanos durante manifestação. Na terça, manifestantes protestaram em Pacaraima contra uso de ginásio como Casa de Passagem para os imigrantes; no ato, eles fecharam o tráfego a fronteira entre Brasile Venezuela por meia hora
Inaê Brandão/G1 RR/Arquivo
A Defensoria Pública da União (DPU) em Roraima expediu nesta quinta-feira (22) uma recomendação que as polícias Militar, Civil e Federal fiquem em alerta para acompanhar um protesto contra os imigrantes venezuelanos marcado para ocorrer no próximo sábado (24), em Boa Vista.
Segundo o defensor público federal Leonardo Magalhães, é recomendado que a PM reforce a segurança nos quatro abrigos de imigrantes na capital e também na Praça Simón Bolivar, onde deve ocorrer o protesto. O local está ocupado por mais de mil venezuelanos.
Na segunda (18), manifestantes expulsaram e queimaram bens de imigrantes que viviam em um prédio abandonado em Mucajaí, no interior do estado. No dia seguinte, outro protesto, mas desta vez pacífico, ocorreu em Pacaraima. Durante o ato, a fronteira entre Brasil e Venezuela teve o tráfego interrompido por quase meia hora.
O objetivo da recomendação, de acordo com Magalhães, é evitar que haja um enfrentamento semelhante ao que houve em Mucajaí durante o protesto marcado para ocorrer na capital. O alerta às polícias foi motivado por uma denúncia de que pode ocorrer um confronto entre brasileiros e imigrantes.
Defensor federal Leonardo Magalhães diz que objetivo da recomendação é garantir a segurança de brasileiros e de venezuelanos
Emily Costa/G1 RR
“Temos a preocupação de que não se repita a situação que houve em Mucajaí. Então, a DPU entende que é preciso assegurar o direito de manifestação dos brasileiros, mas também a segurança de todos, incluindo dos venezuelanos. A manifestação tem que ser pacífica e organizada”.
Nas redes sociais, textos sobre o protesto circulam. Em um deles, os organizadores dizem que são um “grupo de brasileiros patriotas” e pedem que os “manifestantes usem camisas verdes e amarelas ou pretas, que significa o luto pelos brasileiros mortos por eles”.
Roraima está em situação de emergência social por conta da intensa migração de venezuelanos para o estado. Segundo a prefeitura de Boa Vista, só na capital já são mais de 40 mil imigrantes, muitos em situação de total vulnerabilidade.
Onda de protestos
Durante a manifestação em Mucajaí moradores expulsaram e queimaram bens de dezenas de venezuelanos que estavam vivendo em um prédio abandonado na cidade. Cerca de 300 pessoas participaram do ato.
A manifestação ocorreu em razão do assassinado do lanterneiro Eules Marinho, conhecido como ‘Japão’. Ele foi morto a pauladas na noite de domingo (18) por dois venezuelanos. Um foi preso e outro, de 19 anos, foi assassinado ainda no local por um brasileiro ainda não identificado.
Em Mucajaí, objetos foram queimados em frente a prédio ocupado por venezuelanos
Inaê Brandão/G1 RR/Arquivo
Durante a invasão ao prédio ocupado pelos venezuelanos, moradores destruíram objetos, rasgaram pacotes de alimentos e atearam fogo aos pertences dos estrangeiros. Uma venezuelana teve roupas e documentos como visto, passaporte e cédula venezuelana queimados.
Não houve feridos no protesto, mas a PM registrou a ocorrência e repassou à Polícia Civil. Agora, o delegado do caso, Paulo Henrique, quer identificar as pessoas que invadiram o prédio e incitaram os atos praticados contra os venezuelanos.
“É uma apuração preliminar para chegar a possíveis autores de incitação a violência e a crimes contra os imigrantes”, disse o delegado. O Ministério Público Federal acompanha as apurações do fato.
No dia seguinte, outro protesto ocorreu em Pacaraima, cidade na fronteira. Dessa vez, os moradores protestaram contra a instalação de uma casa de passagem para os imigrantes em um ginásio da cidade, e também contra os impactos negativos da imigração em massa de venezuelanos para o município.

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