Declínio de abelhas silvestres ameaça cultivos em EUA e Canadá, diz estudo


Diminuição da população de metade das espécies de insetos no mundo inteiro pode gerar ‘colapso catastrófico’ dos ambientes naturais. Uma abelha é vista sobre um girassol em Frankfurt, na Alemanha, nesta segunda-feira (27)
Boris Roessler/dpa via AP
As abelhas silvestres são mais importantes do que se pensava e seu declínio ameaça a produção agrícola nos Estados Unidos e no Canadá, segundo um estudo que será publicado nesta quarta-feira (29).
“Nossas pesquisas mostram que o declínio dos polinizadores poderia se traduzir diretamente em uma queda nos rendimentos ou da produção na maioria dos cultivos estudados”, afirmam os autores do trabalho, que será publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society.
A pesquisa, financiada em parte pelo departamento de Agricultura dos Estados Unidos, destaca que “as espécies selvagens contribuem de forma substanciosa para a polinização da maioria dos cultivos estudados em importantes regiões agrícolas”.
Os cientistas analisaram cultivos de frutas, legumes e frutos com caroços que dependem da polinização de abelhas silvestres ou domesticadas nos Estados Unidos e no Canadá.
Das análises se extrai que as abelhas selvagens desempenham um papel importante, “inclusive em regiões de agricultura intensiva”.
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Estima-se que o valor da produção anual vinculada aos polinizadores selvagens supere 1,5 bilhão de dólares, comparativamente aos US$ 6,4 bilhões das abelhas domésticas.
No caso de abóboras, maçãs, algumas cerejas, mirtilos e melancias, as abelhas selvagens depositam em média mais pólen por flor do que as domésticas.
Os cientistas concluíram que a agricultura ganharia pouco investindo em pesticidas e fertilizantes sem cuidar da diminuição dos polinizadores, permitindo, por exemplo, a presença de flores selvagens.
A população de metade das espécies de insetos, essenciais para os ecossistemas e a economia, está diminuindo em grande velocidade no mundo inteiro, segundo um estudo publicado em 2019, que adverte para um “colapso catastrófico” dos ambientes naturais.