Datafolha: Metade dos brasileiros é a favor das cotas raciais em universidades; 34% são contra


Pesquisa mostra que apoio é maior entre mais jovens, escolarizados e com maior renda. Aprovação também cresce entre pretos, pardos e pais com filhos em escolas particulares. A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira do pais a adotar o sistema de cotas raciais
UnB Agência
Dados do último levantamento do instituto Datafolha, divulgado neste domingo (12) pelo jornal “Folha de S.Paulo”, apontam que metade da população brasileira é a favor das cotas raciais em universidades públicas.
Entre os entrevistados, 34% se posicionaram contra. Outros 3% se mostraram indiferentes e 12% não souberam responder.
A pesquisa ouviu 2.090 pessoas a partir de 16 anos em 130 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em geral, o apoio às cotas é maior entre os mais jovens, escolarizados e com maior renda. A concordância também é superior entre a população preta (53%) e parda (52%) do que entre brancos (50%).
A aprovação passa para 60% entre pessoas com filhos que estudam em escolas particulares, que não são beneficiados pelo mecanismo. Entre os pais de filhos em escolas públicas, há a maior falta de opinião sobre o tema: 11% desse grupo dizem não saber sobre a questão, contra 3% no outro grupo.
A pesquisa Datafolha também fez perguntas sobre a abordagem da discriminação racial nas escolas e respeito às crenças religiosas. A maioria dos entrevistados (81,4%) concorda totalmente que a discriminação racial deve ser discutida nas escolas. O respeito a todo tipo de crença e prática religiosa na escola pública é apoiado por 93,7%.
Lei de 2012
A Lei de Cotas foi sancionada em 2012. A partir dela, todas as universidades federais do Brasil passaram a adotar a ação afirmativa de forma escalonada até chegarem, em 2016, à reserva de 50% das vagas para alunos que cursaram todo o ensino médio em escola pública.
A legislação determina que o preenchimento dessas vagas siga a mesma proporção da população de pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência do estado onde fica instituição de ensino, seguindo os dados do censo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A própria lei prevê que ela passe por revisão até agosto deste ano, quando o programa completa dez anos. Parlamentares defensores da medida têm receio de que o debate em meio à campanha eleitoral provoque “retrocesso”. Eles defendem o adiamento da revisão.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) já criticou a política, mas até agora não houve movimentações em seu governo para alterá-la.
A pesquisa Datafolha mostra que a aprovação às cotas é maior entre pessoas que consideram o governo Bolsonaro péssimo (57%) do que entre aqueles que avaliam seu desempenho como ótimo (31%).