Da quebrada para a maior feira de games da América Latina

Amigos de Itaquaquecetuba curtem a programação da Brasil Game Show

Amigos de Itaquaquecetuba curtem a programação da Brasil Game Show
Reprodução

Em meio a food trucks, uma mesa com sete adolescentes chama a atenção na praça de alimentação da Brasil Game Show. Um piquenique acontecia sem a menor cerimônia. Salgadinhos, pão de forma, presunto e refrigerante de dois litros era o almoço do grupo que saiu de Itaquaquecetuba para se divertir na maior feira de games da América Latina.

“A ideia é economizar. Fica muito mais barato comprar no mercado do nosso bairro, dividir o valor com todo mundo e trazer na mochila”, diz Rhuan Fernandes, 17 anos.

“Assim sobra algum dinheiro para conseguir comprar alguma coisa aqui na feira”, completa Bruno Santos, 18 anos.

A compra no supermercado do bairro dos garotos saiu bem mais barata do que o preço de uma refeição individual na feira. Um combo com um hambúrguer, uma lata de refrigerante e bata chips custava cerca de R$ 50. Cada um pagou apenas R$ 6 para participar do piquenique.

O grupo original é formado por oito amigos, mas um deles não conseguiu o dinheiro para comprar o ingresso. Este ano eles demoraram para decidir que iriam e perderam os primeiros lotes de venda. Com a carteirinha de estudante, cada um pagou cerca de R$ 95.

Emerson Barbosa, Nicolas Oliveira, Rodrigo Martins, Bruno Santos, Rhuan Fernandes, Guilherme Alves e Liam Nepomuceno

Emerson Barbosa, Nicolas Oliveira, Rodrigo Martins, Bruno Santos, Rhuan Fernandes, Guilherme Alves e Liam Nepomuceno
Foto: Pablo Marques

“Não é barato vir para cá. Nós temos amigos que não têm a mesma condição nem para pagar pelo ingresso, nem para passar um dia inteiro aqui”, diz Nicolas Oliveira, 17 anos

Todos estão na mesma escola, moram no mesmo bairro e estão prestes escolher uma profissão. Os ingressos para a BGS foram comprados com a intenção de ser uma despedida da vida escolar. Todos são fãs de games e esse é o ponto em comum da amizade.

“Este é o nosso último evento junto ainda estudando na mesma escola e sem ter grandes obrigações. É uma experiência única e que nós temos só uma vez por ano. É um dia muito diferente do nosso cotidiano”, diz Liam Nepomuceno, 16 anos.

Alguns fazem bico de panfleteiro para ganhar algum dinheiro. O valor pago pela diária de distribuição de propaganda nas ruas é de R$ 70, menos do que o valor pago para ir à feira de games. Eles ressaltam que não é sempre que trabalham entregando folhetos.

Eles acreditam que gostar de jogos eletrônicos é um hobby caro e que não é tão acessível. O preço dos computadores e dos videogames são altos demais para conseguir ter uma experiência legal de jogo. Eles acham que em Itaquaquecetuba os jovens têm menos interesse por ser algo pouco divulgado por lá. 

“Itaquaquecetuba é uma cidade que não tem esse cunho cultural do mundo geek. Não é igual São Paulo que as pessoas gostam bastante e onde os eventos acontecem”, explica Rodrigo Martins, 17 anos.

Assim como outros jovens que lotam o Expo Center Norte, o objetivo dos sete adolescentes é encontrar youtubers, ver de perto os novos jogos e… ganhar brindes. Eles explicam que vale a pena pagar pelo ingresso porque recebem muitos produtos de graça. De dentro das mochilas tiram camisetas, chaveiros, copos e acessórios para celular e computador que ganharam pelos corredores da feira. 

Até a próxima edição da feira, todos vão ter passado pelas provas de vestibular. Economia, relações internacionais, engenharia, jornalismo, letras são as profissões escolhidas pelos garotos. Ainda com o futuro incerto, o plano de se reunir para jogar videogame no evento segue firme.

“No ano que vem o preço vai aumentar com certeza, mas nós vamos tentar estar aqui de novo. Se precisar, vamos fazer outro piquenique, que agora já é um clássico”, afirma Rhuan.