Cúpula da Polícia Civil se reúne em apoio à mudança de secretaria

Conselho da Polícia Civil se reuniu nesta segunda-feira

Conselho da Polícia Civil se reuniu nesta segunda-feira
Divulgação/Sindicato dos Delegados

Representantes da Polícia Civil de São Paulo se reuniram na noite desta segunda-feira (16) para manifestar apoio à transferência da instituição da Secretaria de Segurança Pública para a pasta de Justiça e Cidadania do Estado.

Desde quando foi anunciada pelo atual governador paulista, Márcio França (PSB), a medida recebeu apoio das entidades de classe da Polícia Civil.

O encontro desta segunda-feira reuniu a presidente do Sindicato dos Delegados de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati, e o vice, Abrahão José Kfouri Filho; o presidente da Associação dos Delegados de São Paulo, Gustavo Mesquita; e o deputado estadual Delegado Olim (PP). Além deles, o encontro favorável à transferência contou com diretores e membros do conselho da Polícia Civil.

Em entrevista para a rádio Bandeirantes na manhã desta segunda-feira, o governador ressaltou sua posição de apoio à transferência da Polícia Civil de pasta, mas disse que “quem tem que decidir isso, a rigor, são as duas categorias e a Assembleia Legislativa”.

Segundo a delegada Raquel, presidente do Sindicato dos Delegados, “o governador irá propor a alteração do artigo 2º da lei complementar 207”, que prevê que a Polícia Civil é subordinada “hierárquica, administrativa e funcionalmente” à SSP-SP. Por isso, segundo a delegada, o projeto deve ser discutido na Assembleia Legislativa.

Para explicar a mudança, França afirma que as policiais Civil e Militar têm rotinas diferentes e desenvolvem funções distintas, sendo que os policiais civis têm serviços investigativos, como polícia judiciária, por isso se enquadra melhor na Secretaria de Justiça.

Para o professor Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a possível mudança significa “um grito de desespero da Polícia Civil”. No entanto, segundo o especialista, “o governador adotou uma solução muito rápida sem estudar devidamente quais seriam as consequências dessa mudança”.

Ainda na entrevista à rádio Bandeirantes, França disse que o governo deve auxiliar na recuperação da “autoestima” dos policiais civis e “para isso ela tem que ter carreira jurídica”. A mudança também colocaria um representante da PM no comando da pasta da Segurança Pública.

“Boa parte dos policiais civis sente que a instituição precisa evoluir, melhorar, e sente que precisa receber mais atenção do governo. Essa proposta de mudança é uma proposta que, na visão de muitos policiais, iria gerar essa melhoria que tanto querem”, afirma Alcadipani.

Para o especialista, a alteração de pasta pode satisfazer a vontade de mudança de membros da Polícia Civil. No entanto, ele destaca a necessidade de “fortalecer a integração entre as policiais e não um distanciamento”. Por fim, Alcadipani afirma que a mudança “diminuiria a interação entre Polícia Civil e Polícia Militar e acirraria a disputa entre as duas instituições”.

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