Criolo se une a Alcione em live de samba e fala sobre apagão criativo na quarentena: ‘momento tão fúnebre que arranca as energias’


Rapper e cantora vão se encontrar pela primeira vez na carreira para live na casa dela, com homenagem a sambas brasileiros. Criolo e Alcione fazem live neste sábado (22)
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O rapper Criolo e a cantora Alcione vão cantar juntos pela primeira vez. Não em uma casa de shows, como pretendiam, mas na casa da sambista. Eles se unem para uma live em homenagem a sambas brasileiros neste sábado (22).
“[O convite foi] uma surpresa gigante! Ela é incrivelmente maravilhosa. Estar com ela em sua casa e viver esse momento é um sonho gigante que se realiza, algo muito especial”, diz o rapper ao G1.
Eles não conseguiram ensaiar por causa da pandemia. Por isso, montaram o repertório com sugestões propostas pelo diretor musical do encontro, José Ricardo, e resolveram outros detalhes remotamente. O encontro pessoalmente vai acontecer apenas antes da apresentação.
O último álbum de Criolo foi de samba. Os singles lançados posteriormente, uma volta ao rap. Agora, a live de samba. É assim, nessa mescla, que ele pretende seguir. “[Vou fazer] um pouco de cada coisa que o coração pedir, vou na vida tentado ver se consigo”, diz.
O objetivo da live é arrecadar alimentos e dinheiro para distribuir refeições via organizações não governamentais. Durante a pandemia, Criolo participou de outro projeto social. Ao lado de Milton Nascimento e Amaro Freitas, criou o fundo solidário “Existe amor”, voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Um trabalho muito especial que só foi possível de acontecer pelo coração imenso e lindo do nosso querido Milton Nascimento. Tivemos um encontro musical, eu, Milton e Amaro Freitas conseguimos arrecadar fundos para doar. Eles foram todos para apoio a uma série de projetos que já desenvolvem trabalhos junto à população de vulnerabilidade social extrema.”
Criolo e Milton Nascimento
Fred Siewerdt / Divulgação
Tristeza na quarentena
Perguntei ao cantor como passou a quarentena pessoalmente, emocionalmente e mentalmente. A resposta foi direta: “Com muita tristeza.”
Profissionalmente, as coisas não mudam mudam muito. Ele mal conseguiu trabalhar em novos projetos neste tempo.
“Escrevi pouca coisa! O momento é tão fúnebre que te arranca as energias.”
“Espiral de ilusão”, seu último álbum, foi lançado em 2017. Desde então, passou dois anos fazendo parcerias com outros artistas (Gal Costa, Milton Nascimento, Silva). No ano passado, voltou a lançar músicas suas: “Sistema obtuso” (2020) e Fellini (2021).
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Ele diz que trabalha em um projeto novo, sim, mas em um ritmo “devagarinho”. “Estou organizando algumas coisas, coisinha aqui, coisinha ali, visito coisas antigas. E devaraginho a gente vai dividir com todo mundo”, diz.
A indignação com o momento difícil do Brasil vai estar presente, mas Criolo quer um trabalho que também tenha leveza.
“Antes disso tudo, nós já vivíamos tensão e medo no berço do abandono. Agora estamos atravessando o caos do abandono e da crueldade explícita. O que eu peço é que a música, com sua magia, continue nos levando boas energias. Acho que é muito mais nesse sentido. A indignação aponta um caminho, possibilidades de que a gente possa de algum jeito, com a força das artes e de todos, atravessar por tudo isso..”
‘Nos ajude, Lázaro, a entender’
Trechos de uma entrevista que Criolo deu a Lázaro Ramos em 2013 teimam em voltar à tona nas redes sociais. Neste ano, as falas sobre a ascensão da classe C estiveram, de novo, entre os assuntos mais comentados.
O rapper acredita que força do misto de sentimentos presentes na entrevista – indignação, amor, impotência e fé no futuro – são o combustível para que ela sempre volte à tona.