Cringe, segundo a geração Z: Kaique Brito, Elana Dara e Fefe explicam termo

Palavra virou centro de ‘guerra geracional’ e expõe diferenças entre jovens e adultos. Cantora e influenciadores têm de 16 a 21 anos e milhões de seguidores nas redes. Elana Dara, Kaique Brito e Fefe contam o que é cringe para a geração Z
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Elana Dara tem 21 anos; Fefe, 19; e Kaique Brito, 16. Eles são uma cantora, uma modelo e tiktoker e um influenciador de sucesso, têm milhões de seguidores e são parte da geração Z, que nasceu e cresceu com a internet.
São também os convidados do G1 para explicar o que é cringe, por que esse termo tomou as redes nos últimos dias e acendeu uma treta entre a geração Z (nascidos entre o fim dos anos 1990 e 2010) e os millennials (nascidos entre 1980 e 1996), já considerados “tios e tias” ultrapassados por jovens e adolescentes.
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O conceito não é claro nem para eles, diz Elana. “Confesso que eu mesma tive que pesquisar o que é cringe pra ver se eu estava falando o negócio certo porque eu acho um termo subjetivo.”
“Ao pé da letra, ser uma pessoa cringe é tipo uma pessoa que faz você sentir vergonha alheia. Que você olha e fala: que vergonha”, explica Fefe.
Mas cringe não é só um adjetivo. É um sentimento, quase um estado de espírito. O Kaique traduz: “eu sinto cringe ao ver algo ou acho que algo é cringe. Sabe, baseado na própria opinião mesmo.”
Por ser baseado em opiniões subjetivas, o termo tem rendido discussões eternas na última semana. No Instagram, a hashtag #cringe já tem mais de 23 milhões de publicações. No Tiktok, vídeos com a mesma hashtag já ultrapassaram 10,5 bilhões de visualizações. E no Google, a busca pelo termo aumentou 70%. Veja, abaixo, três virias do Tiktok sobre o assunto:
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A geração Z cresceu e nasceu na internet e segue muita gente do mundo inteiro. Daí que conhecem e têm quedinha por palavras em inglês.
“Essa expressão pegou na internet porque vem do inglês e a gente sempre pega algumas coisas do inglês, alguns termos e memes e essa geração tá falando muito cringe se referindo a pessoas mais velhas que a gente, dos millennials”, diz Fefe.
A palavra inglesa é, na verdade, um verbo. E tem dois significados, segundo o dicionário de Cambridge: sentir-se muito envergonhado ou constrangido; encolher-se ou recuar com medo de alguém ou algo que pareça poderoso e perigoso.
Ela já era bem usada por uma bolha de jovens tiktokers para falar sobre coisas estranhas para eles, conta Kaique. A presença massiva deles nas mesmas redes que os millennials levou a um choque de gerações e fez a palavra furar a bolha.
“Principalmente no Twitter, que a galera fala bastante sobre cringe por lá, tem uma diferença de idade muito grande entre as pessoas que usam. Então vai ter a galera de 10 anos lá digitando com a galera de 30 anos falando sobre o mesmo assunto”, explica Elana.
Na internet, têm várias listas com itens cringe para você, millennial, se indignar. Ou para você, zennial, morrer de vergonha: tomar café da manhã, tomar café no geral, falar litrão ou boleto, usar calça skinny, não superar o amor por Harry Potter ou filmes da Disney; partir o cabelo de lado, usar sapatilha de bico redondo, ser fã de Taylor Swift.
Elana Dara concorda com algumas coisas. Para ela, sapatilha, emoji com risada e figurinhas que o pai manda no whatsapp são bregas demais e podem estar nesta lista. Mas ela não acha que a palavra seja tão negativa assim. “Às vezes você só é cringe, mas isso não quer dizer que você é tão vergonha. É só uma vegoinha”, ela ri. Com kkkk.
Já o Kaique não concorda com a palavra e, mesmo com 16 anos, faz várias dessas coisas abominadas por seus pares. “Eu já fui chamado de cringe 50 mil vezes, então acho que eu sou cringe. A gente provavelmente tá sendo chamado nesse momento, deve ter alguém digitando pro nosso @ lá o Twitter que a gente é cringe.”
“Eu acho que as pessoas chamam as outras de cringe por serem o que elas são e fazerem as coisas que gostam. Eu li uma frase muito interessante: ‘I’m cringe, but I’m free’. Pelo menos a gente é livre.”
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