Coronavírus: Unicamp estende suspensão de atividades presenciais e Cruesp reforça importância do isolamento


Unidades de ensino e pesquisa têm atividades suspensas até 10 de maio. Cruesp defende distanciamento social como ‘ação mais eficaz’ contra disseminação da doença. Vista aérea do campus da Unicamp, em Campinas
Reprodução/EPTV
A Unicamp publicou nesta quarta-feira (22) uma resolução em que prorroga a suspensão das atividades presenciais das unidades de ensino e pesquisa, centros, núcleos e órgãos universitários até 10 de maio. A medida teve início na instituição em 13 de março e a data estabelecida como prazo é a mesma em que chega ao fim a quarentena determinada até o momento pelo governo do Estado.
Já o conselho de reitores das universidades estaduais paulistas (Cruesp), presidido pelo reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, emitiu nota na noite de terça-feira em que defende o isolamento social como “ação mais eficaz para evitar a rápida disseminação da doença e o consequente colapso do sistema público de saúde” – veja abaixo detalhes.
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Resolução da Unicamp
Além de considerar o decreto estadual que estabelece o período de quarentena, a resolução da reitoria leva em consideração o agravamento da crise sanitária ocasionada pela pandemia do novo coronavírus e medidas preventivas tomadas pela própria universidade para preservar a comunidade.
A Unicamp, primeira universidade pública do Brasil a suspender as aulas por conta da pandemia, anunciou em 13 de março a paralisação de todas as atividades não essenciais. À época, Knobel ressaltou que a medida, de caráter preventivo, foi tomada diante de um “momento crítico”.
‘Ação mais eficaz’
Em nota, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) enfatizou que o “isolamento social rigoroso é a ação mais eficaz para evitar a rápida disseminação da doença e o consequente colapso do sistema público de saúde”.
Ainda segundo o grupo, o descrédito de alguns segmentos é resultado de uma “oposição fantasiosa entre desempenho da economia e saúde pública, alimentada por notícias falsas com viés ideológico”. Leia abaixo a nota na íntegra.
Nota do Cruesp
“Em meio aos desafios e hipóteses que ainda cercam a pandemia de Covid-19, está claro que o isolamento social rigoroso é a ação mais eficaz para evitar a rápida disseminação da doença e o consequente colapso do sistema público de saúde.
O Cruesp enfatiza a importância do isolamento e manifesta preocupação diante das pressões pelo afrouxamento precoce da medida. Quando ocorrer, este deverá basear-se em critérios objetivos e ser posto em prática de forma planejada e cautelosa, com acompanhamento contínuo e manutenção das recomendações para que a população use máscaras e evite aglomerações.
O descrédito de alguns segmentos da sociedade na eficácia do isolamento social fundamenta-se em uma oposição fantasiosa entre desempenho da economia e proteção da saúde pública, alimentada por notícias falsas com viés ideológico. Trata-se de uma visão equivocada, que ignora o fato de que é impossível haver crescimento econômico em um contexto prolongado de epidemia, falta de assistência e crise nos hospitais.
A correlação entre isolamento social e paralisação total do país também é incorreta. Embora a quarentena de fato afete alguns setores de modo bastante incisivo – para os quais são necessárias políticas públicas urgentes e ações de apoio por parte da sociedade civil –, este pode ser, para outros, um momento de plena produtividade e inovação.
Nas três universidades estaduais paulistas, grupos de pesquisa esforçam-se para encontrar formas de combater a Covid-19, enquanto os alunos dão continuidade aos estudos com o auxílio de tecnologias de comunicação remota. Seus hospitais, localizados na capital e no interior, prestam atendimento exclusivo pelo SUS a uma parcela significativa da população do Estado e são referência no tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus.
A maior contribuição que as três universidades paulistas podem dar contra esta pandemia e outros males contemporâneos é a produção de conhecimento científico, o qual deve ser sempre o único a embasar a elaboração e justificar a adoção ou o cancelamento de políticas públicas como a que determina, por ora, o necessário isolamento social da população”.
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