Coronavírus: Unicamp cria projeto preliminar para retomada gradual das atividades presenciais


Estudo prevê medidas a serem tomadas quando houver o relaxamento da quarentena no estado; objetivo é retorno dividido em fases, diminuindo o risco de contaminação. Unicamp cria projeto preliminar para retomada gradual das atividades presenciais
Mirela Von Zuben/Arquivo G1
A Unicamp inciou a criação de um projeto para a retomada das atividades presenciais nas unidades de ensino. Ainda em fase preliminar, o estudo prevê a volta gradual de alunos e funcionários quando houver o relaxamento das medidas de quarentena no estado de São Paulo, até agora prevista para continuar até o dia 31 de maio, para conter a disseminação do coronavírus (Sars-Cov-2).
O plano diz que é necessário estabelecer as medidas para a volta gradual, mas “priorizando as vidas e a saúde da comunidade universitária e minimizando os danos às atividades acadêmico-científicas”. Ele foi encaminhado para os diretores dos campi para que cada um possa fazer apontamentos específicos de suas unidades.
“É preliminar. A ideia foi colocar o plano para discussão em todas as unidades e posteriormente será debatido, discutido. E é importante destacar que não tem data. É um plano para quando for voltar, e a gente não sabe quando vai voltar”, ressaltou o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel.
O documento diz ainda que, “se as condições sanitárias exigirem, novas propostas poderão substituir este plano inicial”.
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Base do plano
Segundo o próprio documento, a proposta é “conservadora” para evitar cenários que não sejam reais na volta às aulas e pesquisas na Unicamp ou que possam prejudicar o isolamento social aumentando o risco de contaminação pelo novo coronavírus.
O plano foi desenvolvido com base em experiências de outros países, critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) e também nas medidas de distanciamento aplicadas pelo governo estadual, além de utilizar fórmulas científicas e dados do Ministério da Saúde para estimar a duração e os ciclos da pandemia.
Após serem completamente desenvolvidos por cada unidade de ensino, os planos devem se estender durante todo o segundo semestre.
Retomada das atividades vai ser dividida por fases
Fernando Pacífico / G1 Campinas
Fases do plano
A proposta foi dividida em quatro fases, sendo a primeira, chamada de “Fase 0” ou “Fase Preliminar dedicada às medidas a serem tomadas durante a preparação para uma possível volta das atividades. A partir daí, a retomada avança, tendo em vista também o controle da pandemia da Covid-19.
Confira os principais pontos de cada fase:
Fase 0 – preliminar:
Estabelecer medidas para garantir a devida higienização da comunidade.
Treinamento do pessoal da limpeza.
Uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados.
Estoque de insumos necessários na área da saúde.
Realização de campanhas de doações para as unidades de saúde.
Restrição de trânsito e acesso às portarias.
Retomada de atividades administrativas na forma presencial.
Retorno progressivo da frota de ônibus até um máximo de 50%, respeitando ainda distanciamento mínimo de 1 metro dos passageiros no transporte.
Testagem intensiva de pessoas com sintomas para Covid-19.
Fase 1 – primeiras quatro semanas:
Retorno gradual de 20% dos trabalhadores nas unidades, preferencialmente sob rodízio. Retorno de 40% após as duas primeiras semanas.
Aumento proporcional do Restaurante Universitário.
Aumento proporcional do transporte, que não deve ter lotação superior a 50%.
Fase 2 – oito semanas seguintes:
Retorno gradual de 60% dos trabalhadores nas unidades, preferencialmente sob rodízio. Retorno de 80% após as duas primeiras semanas. Retorno de 100% após quatro semanas – inclui RU, transporte fretado e transporte no campus.
Retorno de 30% das crianças atendidas no CECI/DeDIC. Retorno de 60% após as duas primeiras semanas. Retorno de 100% após quatro semanas.
Retorno de 25% dos alunos de graduação e pós-graduação. Retorno de 50% após as duas primeiras semanas. Retorno de 100% após quatro semanas.
Mantido o distanciamento social – 1,5 metro.
30-35% de ocupação máxima em salas de aula, laboratórios e anfiteatros.
Após quatro semanas, retorno dos trabalhadores com vulnerabilidades à Covid-19.
Sobre as atividades de graduação em si, outras medidas ainda são estabelecidas nesta fase:
Estimular atividades remotas até o fim do semestre.
Promover defesa remota do TCC.
Avaliar possibilidade de conclusão de estágios obrigatórios dos alunos.
Estabelecer em 50% as atividades presenciais necessárias em disciplinas práticas e laboratórios.
Estabelecer entre 25 e 50% as atividades presenciais para ingressantes.
Presença no campus para provas finais.
Fase 3 – retorno progressivo de atividades de extensão e eventos:
Manter os hábitos de higiene estabelecidos e orientações sobre uso de máscaras.
Expansão da testagem da comunidade acadêmica para diagnóstico precoce de casos residuais.
Abertura de espaços para eventos, retomada das atividades de extensão e permissão da mobilidade de professores alunos e visitantes.
Possível retomada de defesas presenciais de dissertações e teses.
Outras medidas
Nas atividades de pós-graduação stricto sensu, exames de qualificação agendados para as primeiras oito semanas após o início da primeira fase poderão ser realizados por meio remoto, assim como defesas de dissertações e teses – membros externos à universidade deverão participar de forma remota.
Também será estimulado o uso de tecnologias online para cumprimento de disciplinas eletivas ou compulsórias durante todo o ano de 2020. Os editais devem, portanto, serem adequados para tal.
Plano prevê retorno gradual e datas para realização dos vestibulares da Unicamp
Bruna Ferreira/G1
Vestibular
Por fim, o plano preliminar propõe ainda períodos para a realização dos processos seletivos da universidade.
Vestibular Unicamp: 31 de julho a 9 de setembro.
Vestibular indígena: 20 de agosto a 21 de setembro.
Ingresso pelo Enem: 15 de outubro a 16 de novembro.
Vagas Olímpicas: 17 de novembro a 8 de janeiro de 2021.
O documento frisa, no entanto, que “os calendários poderão ser ajustados a depender do quadro da pandemia e do funcionamento das redes escolares”, assim como “eventuais alterações no calendário do Enem podem significar mudança das datas do Vestibular Unicamp e do Vestibular Indígena”.
As datas devem ser definidas ainda conforme decisão do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
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