Copa com hospitais? Rússia 2018 questiona democracia e terrorismo

Protestos contra Copa como no Brasil são praticamente impossíveis na Rússia

Protestos contra Copa como no Brasil são praticamente impossíveis na Rússia
Gleb Garanich/Reuters – 13.6.2018

Os questionamentos entre construção de hospitais ou de estádios não chegaram até a Rússia 2018. A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (14), no Estádio Luzhniki, em Moscou, sem os protestos por falta de infraestrutura vistos no Brasil 2014. Os problemas dos administrados pelo governo de Vladimir Putin giram em torno da política internacional.

Saúde, educação e transportes estão longe de ser os mais perfeitos do mundo, mas agradam boa parte da população, principalmente, na capital soviética. Seja por desconhecimento de um mundo ainda a ser descoberto por uma geração ou por pura satisfação, os russos mais críticos estão preocupados mesmo com a solidificação da democracia e o posicionamento do país contra o terrorismo por exemplo.

“O esporte tem um potencial humano incrível. Uma Copa do Mundo não é apenas um jogo apaixonante, mas uma oportunidade para outras pessoas conheceram outras pessoas, fazer novos amigos, mostrar que podem viver em paz e jogar futebol. Nosso país está preparado para receber a Copa do Mundo Fifa”, discursou Putin, no Congresso da Fifa, realizado em Moscou.

Em um cenário de conquistas do novo capitalismo, os gritos de “não vai ter Copa” não atravessaram os oceanos e desembarcaram na Rússia. No Brasil, a marcha contra o Mundial em muito foi provocada por Ronaldo Fenômeno, então membro do Comitê Organizador Local do Brasil 2014. O ex-jogador teve um vídeo divulgado em que dizia que “não se faz Copa do Mundo com hospitais, mas com estádios”. O um dia artilheiro das Copas justificou que muito dinheiro estava sendo destinado para áreas em que o futebol não atuaria propriamente dito, o que gerou protestou ao redor do País e também resultou nas passeatas de 2013.

Protestos semelhantes são praticamente impossíveis de acontecer na Rússia. Além da forte repressão policial, os cidadãos ainda estão testando os limites do que não se deve, não pode ou é terminantemente proibido. Pessoas entrevistas, entre as poucas que falam inglês, têm inclusive medo de se reportarem contra o Kremlin. Mais do que isso, Putin foi reeleito para o quarto mandato com 76,6% dos votos.

Putin celebrou chegada da Copa do Mundo na Rússia

Putin celebrou chegada da Copa do Mundo na Rússia
Sergei Karpukhin/Reuters – 13.6.2018

“Você acha que os turistas não vieram para a Rússia porque o presidente russo é um estupido?”, perguntou um morador de Moscou ao repórter, no trem a caminho do Luzhniki. “Por aqui muita gente não concorda com a Guerra da Síria, mas você não vai ouvir muita gente falando isso.”

Nos últimos anos, a Rússia tomou o caminho contrário de grandes potenciais ocidentais e se posicionou a favor do regime do ditador Bashar Al-Assad. Forças de Putin contribuíram em uma ofensiva aérea contra o daesh, mas o resultado não ajudou os rebeldes locais apoiados hoje por Donald Trump. No último bombardeio à Damasco em abril, mísseis russos chegaram a bloquear ataques dos americanos o que gerou nova crise diplomática.

Em termos esportivos, a Rússia investiu cerca de R$ 40 bilhões na construção de estádios, melhorias no transporte e despesas operacionais para a Copa – para efeito de comparação, o relatório do governo federal brasileiro em dezembro de 2014 apontou o gasto de R$ 27,1 bilhões. O Comitê Organizador Local comemora os investimentos privados para a realização do Mundial e, assim como no Brasil, fala em “legado para a população”.

Você acha que os turistas não vieram para a Rússia porque o presidente russo é um estupido?

morador de Moscou, contra governo de Putin

“Em termos de transporte de massa, construímos ou renovamos aeroportos, estações de trem e metrô em um grande esforço de todos. Estamos falando de 1300 veículos e 650 ônibus para transportar os times e a família do futebol”, disse Alexey Sorokin, CEO da Rússia 2018.

Rússia e Arábia Saudita se enfrentam na abertura da Copa do Mundo nesta quinta, às 12 horas (de Brasília), pela primeira rodada do Grupo A.

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