Conselho volta a discutir administração do HC-UFU pela Ebserh em Uberlândia


Encontro ocorre nesta sexta-feira (23) na Sala de Reuniões do Consun. Ebserh realiza diagnóstico no hospital desde 2017. Debate sobre a terceirização do HC-UFU se arrasta desde 2013 em Uberlândia
Caroline Aleixo/G1
O Conselho Universitário da Universidade Federal de Uberlândia (Consun-UFU) realiza reunião extraordinária nesta sexta-feira (23) para retomar a discussão sobre a possível adesão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). O encontro iniciou por volta das 9h no campus Santa Mônica.
O foco é a validação da decisão do Consun, de 2014, que autorizou a pré-adesão à estatal mediante a preservação da autonomia nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, e de atendimento 100% SUS aos pacientes do Hospital de Clínicas de Uberlândia (HC-UFU).
Se houver aceitação dos conselheiros, o atual reitor Valder Steffen terá autonomia para assinar com a Ebserh. Conforme lido pelo relator do processo, o professor da Faculdade de Odontologia Sérgio Vitorino Cardoso, a transição da administração do hospital para a empresa pública ocorreria dentro de 36 meses.
Além dos membros do Consun, representantes do Conselho Municipal de Saúde de Uberlândia também foram convidados a participar da reunião.
Servidores da Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia (Faepu), responsável pela administração do HC-UFU, e representantes do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições Federais de Ensino Superior de Uberlândia (Sintet) também estiveram no local e se manifestaram contrários à proposta. (Assista ao vídeo abaixo)
Conselho volta a discutir administração do HC-UFU pela Ebserh em Uberlândia
Ebserh
O G1 procurou a Ebserh para comentar os trâmites do processo. Em nota, a assessoria de comunicação esclareceu que a estatal ainda está trabalhando no diagnóstico da unidade, previsto para ser concluído até abril, conforme acordado com a UFU.
Informou ainda que está constantemente em contato com os gestores do hospital visando a troca de informações para subsidiar a decisão da adesão. Sobre a reunião, disse que não haveria representantes no local e, por isso, não poderia opinar a respeito.
Entenda
A adesão foi recomendada pelos ministérios públicos Estadual e Federal em 2013 devido às dificuldades financeiras anunciadas pela própria direção do hospital na época.
Nos últimos anos foram diversas interrupções de atendimentos. Entre elas, em junho de 2016, quando o hospital informou que não poderia mais receber pacientes devido à falta de medicamentos e insumos.
No dia 21 de janeiro de 2016, o hospital informou que voltou a atender somente os pacientes em situações de urgência ou emergência. Segundo a unidade, a demora no repasse do Sistema Único de Saúde (SUS) piorou a situação financeira, dificultando ainda mais as negociações com os fornecedores de materiais e medicamentos para atendimento aos pacientes.
No mê seguinte, pacientes tiveram cirurgias oncológicas canceladas por falta de insumos no hospital. Em junho do mesmo ano, o HC suspendeu as cirurgias de traumatologia e de alta complexidade, como as cardíacas e eletivas.
Outras interrupções ocorreram ao longo dos anos e, em outubro de 2017, o reitor Valder Steffen informou em audiência pública que assinaria um novo protocolo de intenções, o que ocorreu no mês seguinte durante visita ao Ministério da Educação (MEC), em Brasília.
Ao G1, o Steffen esclareceu que a assinatura do documento dava sequência aos trâmites burocráticos e era um processo semelhante aos procedimentos adotados há dois anos.
Depois de todo o processo, e se o contrato for assinado, a Ebserh poderá implantar um plano de reestruturação para recuperação de infraestrutura do hospital e recompor o quadro de funcionários por meio de concurso público.

Powered by WPeMatico