Conheça o Vale do Dendê, um centro de inovação em Salvador

Paulo Rogério Nunes: "damos visibilidade para aqueles que estão fora do circuito"

Paulo Rogério Nunes: “damos visibilidade para aqueles que estão fora do circuito”
Divulgação

O nome faz uma referência ao azeite usado na gastronomia baiana e ao Vale do Silício, referência mundial em alta tecnologia. Dessa mistura arretada nasceu em Salvador o Vale do Dendê, que tem como proposta apoiar projetos de inovação, criatividade e a diversidade.

A ideia surgiu com o publicitário Paulo Rogério Nunes, que após trabalhar muitos anos com tecnologia e fazer cursos nos Estados Unidos pensou: por que não transformar Salvador em uma capital de inovação no Brasil?

O publicitário se uniu à relações públicas Ítala Herta, ao jornalista Rosenildo Ferreira e ao administrador de empresas Hélio Santos para criar, em 2016, a Vale do Dendê. Desde o início, o foco está em fazer uma ponte entre o capital financeiro e startups das periferias, em especial aquelas lideradas por jovens e mulheres negras.

“Buscamos dar visibilidade para aqueles que não estão visíveis para o mercado, apoiamos aqueles que não são apoiados normalmente, que estão fora do circuito do mercado”, explica Nunes. “Não basta o esforço, é preciso ter acesso a uma rede de contatos, a financiamento privado ou público”.

A partir daí, foram estabelecidos três pilares de trabalho para o que eles denominam de holding social: a Aceleradora que investe em negócios de impacto social e econômico; no segundo semestre entra em cena a Vale do Dendê Academy para formar talentos e, por fim, uma consultoria estratégica que  presta serviços para órgãos públicos e privados. 

Apoio para a criatividade e diversidade

Apoio para a criatividade e diversidade
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A Vale do Dendê inova no seu próprio conceito, uma vez que aproveita o potencial criativo de pessoas que vem, na maioria das vezes, da periferia. “Muitos investidores acham que a questão racial é política, mas mostramos que investir em diversidade também é inovar, não tenho dúvida de que se o Brasil percebesse o potencial dessas comunidades, se realmente houvesse uma inclusão econômica, estaríamos lado a lado dos Estados Unidos e China”.

Além do processo de aceleração e apoio, a Vale do Dendê realiza a Ocupação Afro Futurista evento focado em cultura maker, empreendedorismo, Economia Criativa e tecnologia, que deve ocorrer no segundo semestre. “A ideia é democratizar o acesso à tecnologia e promover a cultura de inovação”.

Toda essa cultura está diretamente associada a trajetória do publicitário. “Muito cedo tive a oportunidade de trabalhar em um provedor de internet, conhecer essa nova tecnologia e falar inglês, que aprendi de maneira informal pelas ruas de Salvador”, conta.

O influenciador
Paulo Rogério Nunes nasceu na periferia de Salvador, foi o primeiro da família a conseguir chegar a uma universidade e hoje é considerado um dos 100 negros mais influentes do mundo, de acordo com a MIPAD, órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas).

“Recebi esse título com muita honra e me dá um gás maior para trabalhar com o empoderamento, acredito que é uma resposta a minha missão de continuar trabalhando de forma coletiva para mudar a nossa realidade”, diz.

O publicitário construiu sua carreira como empreendedor social. Sempre trabalhou pela diversidade e com tecnologia. Em 2011, conseguiu uma bolsa de estudos pela Fullbright estudou jornalismo e novas mídias na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

Foi um dos 11 escolhidos pelo ex-presidente Barack Obama para um encontro privado de lideranças, com o objetivo de discutir temas relevantes sobre o Brasil. Logo depois, foi convidado por Obama para palestrar na abertura do primeiro encontro internacional na Fundação Obama, em Chicago.

Atualmente, é afiliado do Berkman Klein Center da Universidade de Harvard, principal centro de pesquisa sobre internet no mundo.