Condenado por estupros no AP continuava a extorquir mulheres com fotos íntimas


José dos Santos foi identificado em 2017 praticando o mesmo crime. Polícia estima que mais de 400 mulheres foram vítimas dele e de outros três presos, que usavam perfis falsos para chantageá-las. Presos do Iapen extorquiam mulheres usando fotos íntimas, no Amapá
Reprodução/Rede Amazônica
Após um ano da descoberta do crime, quatro internos do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), do cadeião da Zona Oeste de Macapá, foram identificados como criadores de perfis falsos em redes sociais para extorquir mulheres. Um deles já era conhecido da Polícia Civil, que estima que mais de 400 vítimas enviaram fotos íntimas para eles e foram ameaçadas.
A Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp) ainda não se posicionou sobre a situação.
José Augusto Miranda dos Santos está desde 1997 cumprindo pena no Iapen
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José Augusto Miranda dos Santos é apontado como líder do esquema. Ele já é condenado a cerca de 100 anos de prisão por, pelo menos, oito estupros e estelionato, além de outros crimes. Ele já havia sido identificado pela polícia em 2017, pela mesma prática. As investigações constataram que José extorquia mulheres há, pelo menos, três anos.
O grupo foi levado nesta quarta-feira (28) para a Delegacia Geral de Polícia, para prestar depoimento. José dos Santos poderá ser encaminhado para um presídio de segurança máxima.
De acordo com a polícia, o grupo procurava mulheres bem-sucedidas, trocava mensagens entusiasmadas, criava amizades e relacionamentos, como um namoro virtual, e pedia fotos e vídeos íntimos delas. Muitas enviaram e passaram a ser ameaçadas, com cobrança de valores de R$ 1 mil a R$ 30 mil.
Preso ameaçou vítimas pelas redes sociais
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Caso elas não pagassem, os presos afirmavam que divulgariam as imagens na internet. A polícia ainda não sabe quanto a quadrilha movimentou em valores. Além do Amapá, também há vítimas no Pará, Rio de Janeiro e Brasília.
Um dos delegados que conduzem a investigação, Leonardo Brito, da 6ª DP, afirma que agora, José dos Santos aprimorou a forma de extorquir. Para atrair vítimas, criou vários perfis falsos que conversavam entre si.
As fotos são de homens ainda não identificados pela polícia. Outra forma de chamar atenção era mantendo amizades na internet com pessoas influentes.
“Temos membros de todos os órgãos públicos, do Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, Segurança Pública. Vimos também políticos, amigos do José Augusto. Acreditamos que essas pessoas não sabiam que o perfil era falso, por isso que você não pode adicionar uma pessoa que você não conhece”, disse Brito.
Leonardo Brito é um dos delegados da Polícia Civil que investiga a prática
Jéssica Alves/G1
Em fevereiro de 2017, depois de um ano de investigação, a polícia prendeu a mulher de José Augusto e um filho dela. Eles eram responsáveis por pegar o dinheiro com as vítimas. Desta vez, a polícia ainda não sabe quem dava apoio do lado de fora da penitenciária.
A Delegacia Especializada em Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), que também acompanha o caso, pretende pedir a transferência de José dos Santos para uma penitenciária federal. O delegado Celso Pacheco reforçou que as pessoas precisam ter mais cuidado com as amizades virtuais.
“Faço um alerta à sociedade, principalmente mulheres, que tomem muito cuidado com relação a esses perfis, a esses relacionamentos. Por gentileza, façam filtro, tenham todo um cuidado de verificar com quem estão falando, com quem estão se relacionando”, recomendou Pacheco.
Mesmo identificado, o criminoso seguia cometendo o crime de dentro da penitenciária. A polícia identificou que ele chegou a financiar campanhas de políticos usando dinheiro das vítimas, foi aprovado em um curso de mestrado e fez amizades com servidores de órgãos públicos que ele tinha interesse em ter acesso a informações privilegiadas, investigações e processos judiciais.
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