Como um podcast fez um cientista se tornar doador de rim para aumentar ‘participação de negros em pesquisas’


Cientista afirma que participação de negros em pesquisas ainda é baixa e isso afeta o desenvolvimento de remédios e tratamentos que realmente funcionem. O pesquisador Norbert Tavares
Reprodução/Institute for Learning & Innovation
O cientista Norbert Tavares comanda o programa de biologia unicelular da Chan Zuckerberg Initiative, empresa de Mark Zuckerbeg, dono do Facebook, Priscilla Chan, médica e filantropa.
Nesta terça (16), ele vai doar seu rim para uma pessoa que não conhece por causa de um podcast, contou o cientista à revista People. “[A ideia] surgiu quando eu estava ouvindo um episódio sobre doação de medula óssea. Foi uma ideia interessante, parecia simples, então me inscrevi. E em outro podcast, ouvi sobre o Registro Nacional de Rins.”
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Ele entrou no programa como “doador não designado”, que significa que ele vai deixar o rim “disponível” para doação a qualquer pessoa que precisar e estiver na fila. “Isso faz o sistema funcionar melhor e mais rapidamente, e mais combinações podem ocorrer”, explica.
O cientista resolveu tornar sua ação pública para encorajar pessoas negras a serem doadoras de órgãos e participantes de pesquisas científicas. Ele diz que negros têm receio de participar de pesquisas e doações por causa de um “histórico de erros e omissões”.
“A necessidade é grande, mas a participação de pessoas negras em pesquisas ainda é muito baixa. Isso tem impacto no desenvolvimento de drogas e terapias que realmente funcionem em pessoas como eu.”
“Nós não temos um bom entendimento sobre como raça e ancestralidade influenciam doenças e o desenvolvimento de tratamentos porque não temos dados suficientes de pessoas com raças e ancestralidades sub-representadas”, conta.
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A espera angustiante
Depois da decisão tomada, o cientista encontrou outro obstáculo: descobrir como, afinal, se tornava um doador nos Estados Unidos. Ele precisou de ajuda de algumas associações nacionais para entender o processo.
Entre o cadastro, os exames e a doação de fato, ele precisou esperar alguns meses. Tavares diz que esse período foi o mais angustiante por causa das dúvidas que surgem, mesmo quando você acha que a decisão já foi tomada.
“”A recompensa é saber que fiz algo de bom na minha vida. Sinto que fiz coisas boas na minha vida, mas aqui está mais uma coisa importante que pode realmente ajudar a salvar alguém”, ele diz.
Uma das preocupações dos pais e de alguns de seus amigos era sobre uma possível necessidade de rim por algum membro da família. Mas ele disse que eles entenderam seu amor pela pesquisa e a causa que defende.
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