Como mercado de livros brasileiros aumentou vendas para fora e lucrou mais no 1º semestre de 2021 que em 2020 inteiro


Participação de editoras brasileiras em feiras europeias ajudou a aumentar o interesse pela literatura nacional. Obras do líder indígena Ailton Krenak estão entre queridinhas dos gringos. ‘Relançamento de Memórias Póstumas de Brás Cubas’ nos Estados Unidos faz vendas crescerem
Divulgação/Penguin
Livros brasileiros e direitos autorais de obras nacionais são exportáveis, fazem sucesso fora do país e dão lucro. Em apenas seis meses o valor das vendas superou o arrecadado no ano passado inteiro: no primeiro semestre deste ano, livros e direitos vendidos somaram US$ 650 mil. Nos 12 meses de 2020, o mercado lucrou US$ 636 mil.
Os dados são do Brazilian Publishers, um projeto de internacionalização de conteúdo brasileiro tocado em parceria pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Em primeiro lugar, o reaquecimento do mercado de livros em todo o mundo ajudou a alavancar as vendas dos produtos nacionais no exterior.
Mas um trabalho intenso de divulgação também entra nessa conta:
Representantes do mercado brasileiro aumentaram a presença em dois nichos importantes: feiras do livro e rodadas de negócios. Livros brasileiros foram expostos em Bolonha (Itália) e Londres (Inglaterra). E no segundo semestre, têm presença garantida nas feiras de Frankfurt (Alemanha) e Guadalajara (México).
O catálogo de livros também aumentou. Novas editoras passaram a disponibilizar suas obras para o mercado internacional.
O programa Bolsa de Apoio à Tradução auxiliou editoras menores a disponibilizar seus livros em vários idiomas. Até o fim do ano, oito livros que conseguiram a bolsa serão vendidos em França, Egito, México e Moçambique.
De Machado de Assis esgotado a sucesso de Krenak
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Neto Gonçalves
Livros brasileiríssimos costumam agradar e despertar a curiosidade dos gringos. No ano passado, “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, foi relançado com nova tradução nos Estados Unidos e esgotou em um dia.
Mas o público de fora não está interessado apenas nos clássicos. O interesse por religião, costumes e populações nativas do Brasil também fazem sucesso.
Segundo a CBL, dois grandes destaques de vendas neste ano foram os livros “A vida não é útil” e “Ideias para adiar o fim do mundo” lançados em 2020 e 2019 pelo líder indígena Ailton Krenak. Títulos sobre religiões afrobrasileiras também venderam bastante.
Boas vendas no Brasil também
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No país, o mercado de livro também vive boa fase. No primeiro período deste ano, foram vendidas 28 milhões de obras. No mesmo período do ano passado, o volume era de 18,9 milhões. O aumento representa 48,5% em volume de vendas e a recuperação do setor na pandemia.
O faturamento também subiu: passou de R$846,2 milhões em 2020 para R$1,19 bilhão em 2021, um aumento de 39,9%, segundo dados da Nielsen BookScan. Entre os fatores que ajudam a explicar o aumento, estão promoções, muitos lançamentos, crianças em casa e ação nas redes sociais.
Em julho, o G1 mostrou a influência do TikTok neste mercado. Obras famosas e divulgadas na rede social estavam entre as mais vendidas do mês no Brasil. As vendas de literatura infantojuvenil, que mais bombam no app, subiram 42% este ano.