Como falar sobre demissão anterior durante processo seletivo para vagas de emprego? Veja tira-dúvidas


Candidato deve omitir informações ou ser transparente? Como abordar a relação com ex-chefes e colegas? Especialistas respondem. Em tempos de desemprego, candidatos precisam saber como falar de sua demissão do emprego anterior em entrevistas
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Falar sobre demissão do emprego anterior não deve ser um bicho de sete cabeças para o desempregado que quer voltar ao mercado de trabalho, principalmente no momento em que o país registra elevadas taxas de desocupação. Mas o candidato deve estar preparado para lidar com possíveis questionamentos sobre seu desligamento de forma natural e transparente.
A taxa de desemprego no Brasil está em 12,4%, segundo último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingindo 13,1 milhões de pessoas. A população fora da força de trabalho é recorde, de 65,7 milhões de pessoas.
Segundo o especialista em carreiras Renan Batista Silva, há razões para ser demitido que não estão ligadas a ser um empregado ruim. Ele sugere dizer para o recrutador, por exemplo, que o trabalho do qual foi demitido não era o ajuste certo para os objetivos de carreira de longo prazo.
“Considere maneiras de explicar o que aconteceu sem se deter no lado negativo, concluindo que estava grato pela oportunidade que deram”, recomenda.
Falar de ex-empregador ou ex-colega, no entanto, é um ponto delicado. Segundo os especialistas, o candidato deve evitar dizer qualquer coisa negativa sobre pessoas com quem trabalhou, o que mostra profissionalismo e compostura.
“Você foi demitido, mas não é o fim da história. Não precisa ser uma sentença de prisão perpétua. É apenas um pontinho na sua história de carreira a longo prazo. Os empregadores querem saber como você aprendeu com o passado para melhorar”, resume Silva.
Veja abaixo o tira-dúvidas com Renato Grinberg, especialista em liderança e gestão de empresas e diretor na Tiger Consulting, e Maria Eduarda Silveira, gerente de recrutamento da Robert Half, empresa de recrutamento especializado.
É comum os recrutadores perguntarem se o candidato foi demitido e o motivo?
Maria Eduarda: O recrutador sempre buscará entender as razões das transições de emprego da carreira do profissional. Seja em caso de demissões ou apenas movimentação.
Grinberg: Isso ajuda os recrutadores a entender eventuais limitações do candidato, o que ele aprendeu com a demissão e se ele sabe assumir responsabilidades.
O que o candidato deve dizer se for questionado?
Maria Eduarda: O ideal é ser pragmático na resposta, refletindo rapidamente sobre as conquistas do emprego anterior, erros cometidos e o que se aprendeu. O recrutador avaliará não os problemas ou os motivos de sua saída, mas como você lidou com eles. Sugestões de frases:
“Quando fui desligado, todos me ajudaram com referências, pois sempre tive bons relacionamentos das empresas onde trabalhei”;
“Quando fui demitido, refleti sobre os feedbacks e procurei evoluir nas questões trazidas pelos meus líderes”.
Grinberg: Em primeiro lugar, dizer a verdade. Logo em seguida, dar o contexto em que a demissão ocorreu, focando que naquele momento a sua relação com a empresa não estava funcionando seja por necessidade de corte de custos, por necessitarem de outros tipos de habilidades, etc.
Ele deve citar que foi demitido do emprego anterior mesmo que não seja questionado?
Maria Eduarda: Sim. É muito provável que o recrutador fique sabendo dessa informação de alguma outra forma, por exemplo, entrando em contato com antigos gestores do profissional. Se o recrutador descobrir por outros meios que o candidato foi demitido pode passar a impressão de que a pessoa é irresponsável e pouco confiável.
Grinberg: Se não for questionado, não diga nada. Foque no que você pode fazer pela empresa que está sendo entrevistado.
Mostrar constrangimento ou ter dificuldade para falar sobre isso pode levar à eliminação do processo seletivo?
Maria Eduarda: Sim, pois pode levantar suspeitas do comportamento do candidato. Mas falar sobre uma demissão não precisa ser, necessariamente, uma dor de cabeça. Uma boa maneira de se preparar é fazer uma autoanálise e entender as lições que tirou dessa situação.
Grinberg: Sim. Demissão não é motivo para constrangimento. Porém, não saber explicar o que aconteceu ou culpar o antigo empregador são situações que podem colaborar para a eliminação do candidato do processo seletivo.
O candidato deve ser sincero ao explicar a situação ou tentar fazer um discurso com enfoque positivo, omitindo algumas informações para não deixar má impressão?
Maria Eduarda: Seja sempre honesto sobre os motivos pelos quais você foi desligado, deixando as emoções de lado. Estude a vaga para a qual está se candidatando e aproveite o momento da entrevista para dizer como as lições aprendidas podem ser aplicadas na empresa e como você está pronto para uma nova oportunidade.
Grinberg: Ele deve ser sincero, porém, posicionando a situação de uma maneira positiva. É importante se lembrar de destacar o que aprendeu com isso e como isso o deixou mais maduro para enfrentar os desafios novos em outras empresas.
O candidato deve falar do ex-empregador de que forma caso seja questionado?
Maria Eduarda: O melhor caminho é sempre demonstrar maturidade, profissionalismo e aprendizado, respondendo diplomaticamente e sem se mostrar irritado com o antigo empregador. Além disso, evite ficar reclamando e nunca exponha antigos colegas e líderes. 
Grinberg: Não foque no último momento, no caso o da demissão. Com certeza é possível extrair algum aprendizado ou algo positivo de qualquer trabalho, então na hora de contar sobre o empregador procure falar da trajetória e fale de maneira positiva, porém sem exagerar, porque aí vai parecer falso.
O candidato deve abordar de que forma os motivos da demissão?
Maria Eduarda: O candidato deve abordar de forma transparente para gerar confiança no entrevistador. Falar sempre de forma construtiva e enfatizar o aprendizado que aquele evento trouxe para ele e sua carreira.
Sugestões de frases:
“Após termos vividos períodos de recessão, eles optaram por reduzir o quadro e fui desligado”.
“Conversei com meus líderes e entendemos que nossas expectativas estavam desalinhadas e optamos por não seguir em frente. Nesse momento eles me desligaram”.
“Nessa oportunidade fui demitido por não ter o DNA da empresa, foi um momento importante para eu me conhecer e buscar oportunidades que realmente se encaixam comigo”.
Grinberg:
“Foi um período de aprendizado e amadurecimento e, por isso, me sinto mais preparado para novos desafios”.
“Às vezes um bom profissional no lugar errado não funciona bem. Não é culpa de ninguém, simplesmente uma relação profissional que não está funcionando”.
“Eu agradeço de verdade o que aconteceu comigo. Eu precisava de novos desafios e não teria essa oportunidade onde eu estava”.