Como as doenças crônicas afetam a mobilidade dos idosos



Mesmo inconscientemente, os mais velhos vão limitando seus movimentos
Sabemos que as doenças crônicas acabam limitando a capacidade de locomoção dos idosos. Normalmente, as pessoas têm consciência de sua condição em casos mais graves, que provoquem muita dor ou limitações funcionais; no entanto, se a progressão da enfermidade é lenta, é comum que a restrição gradual de mobilidade passe despercebida.
Numa interessante pesquisa realizada na Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, foram monitorados os movimentos de 779 gêmeos, com a idade variando entre 71 e 75 anos, dentro de casa. O estudo mostrou que as doenças crônicas – artrite reumatoide, osteoartrite, diabetes, doença coronariana, por exemplo – afetavam significativamente a mobilidade dos idosos, sem que eles se dessem conta disso. Indivíduos saudáveis dão, em média, 7 mil passos por dia (cerca de 4.5 quilômetros). Entretanto, os que eram portadores de pelo menos três enfermidades davam menos de 4 mil passos.
Restrição gradual de mobilidade de idosos pode passar despercebida
Dave Haygarth – originally posted to Flickr as Jean’s Bionic Knee / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5307210
Os pesquisadores, que acompanham esse grupo desde 1975, concluíram que o volume de atividade física na juventude não tinha influência nos resultados: a grande diferença na capacidade de locomoção era entre quem estava mais ou menos saudável. Para o professor Urho Kujala, coordenador do estudo, o resultado indica a importância de exercícios personalizados com o objetivo de manter a independência dos pacientes. Exercitar-se é um mantra dessa coluna, corroborado por todas as pesquisas científicas. Uma delas, feita pela faculdade de medicina da Northwestern University, em Chicago, mostra que uma hora de caminhada vigorosa por semana – por se-ma-na! – ajuda a prevenir problemas de mobilidade em idosos com osteoartrite.
“São menos de dez minutos por dia para o paciente manter sua independência”, resume a professora Dorothy Dunlop, completando: “atingindo esse patamar, o indivíduo pode se motivar a adotar um estilo de vida que inclua atividade física, o que certamente trará inúmeros benefícios para sua saúde”. O ritmo dessa caminhada seria o equivalente a andar como se a pessoa estivesse atrasada para chegar a um compromisso. Os benefícios mapeados: habilidade de realizar tarefas como vestir-se ou ser capaz de atravessar a rua durante o tempo do sinal verde para pedestre. No Brasil, cerca de 12 milhões sofrem de osteoartrite. Depois que a doença se instala, como mostrou a primeira pesquisa, a tendência é restringir a locomoção, num círculo vicioso que leva a problemas ainda mais graves.