Como agir em caso de queimaduras, como as do prefeito de Osasco

Rogério Lins, prefeito de Osasco, sofreu queimaduras de 1º e 2º graus

Rogério Lins, prefeito de Osasco, sofreu queimaduras de 1º e 2º graus
Reprodução/Record TV

O prefeito de Osasco, Rogério Lins, e a sua mulher, Aline Lins, sofreram na sexta-feira (28) queimaduras de 1º e 2º graus após a explosão de uma fogueira durante uma festa junina da cidade. Rogério teve 14% da região da face e dos braços queimados e sua esposa teve queimaduras em 8% de seu corpo.

De acordo com o cirurgião plástico especializado em queimaduras, Luiz Philipe Molina, do Centro de Trauma do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, as queimaduras podem ser prevenidas com medidas simples. “Não acender fogueiras e manter distância delas, colocar panelas nas bocas de trás do fogão, usar produtos adequados para acender a churrasqueira, como álcool em gel são medidas simples que podem prevenir acidentes”, afirma Molina.

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O médico esclarece que as queimaduras são divididas em três graus e dependem de dois aspectos para sua classificação — a temperatura e o tempo de exposição.

As queimaduras de 1º grau são consideradas leves, acometendo a camada mais superficial da pele, podendo causar vermelhidão e ardor na região. Entre os exemplos desse tipo de queimadura, estão a exposição prolongada ao sol e alimentos quentes que caem na mão. 

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Queimaduras de 2º grau são consideradas moderadas e afetam a camada intermediária da pele, causando bolhas e vermelhidão mais intensa no local afetado. “Dependendo da temperatura da chapinha de cabelo ao encostar na pele, por exemplo, podemos ter uma queimadura de 2º grau”, explica o médico.

Já as queimaduras de 3º grau são graves, acometendo toda a expessura da pele, podendo chegar até mesmo em nervos, músculos e ossos. Em casos de queimaduras como essas em que o paciente não sente dor, significa que a lesão foi tão profunda que afetou a sensibilidade da pessoa. Entretanto, com o tratamento o paciente pode voltar a ter sensibilidade na região em até dois anos.

Queimaduras podem gerar complicações

Outro problema que pode ocorrer em acidentes envolvendo fogo é a inalação de fumaça. “Existem duas possibilidades, a de o paciente inalar gases tóxicos, como o monóxido de carbono, que causarão intoxicação sem queimar as vias aéreas, mas causarão morte. A outra é a de inalar gases aquecidos, que provocarão queimaduras nas mucosas, então o paciente apresenta dificuldade na respiração e esse tecido morto facilita as infecções”, conta o médico.

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A área queimada também pode dificultar o tratamento ou aumentar o risco de letalidade. Molina afirma que queimaduras nas regiões da face e períneo, além de terem maior complexidade para tratamento, são mais letais, visto que estão mais sujeitas a infecções que podem, eventualmente, evoluir para uma sepse. Já queimaduras nas mãos, pés e axilas, apesar de difíceis, possuem boa evolução.

Em casos de queimaduras como a de Lins, que acometem a face, o paciente pode correr o risco de perder a visão, pois o fogo pode queimar a córnea e outras estruturas oculares de maneira grave. Nessas ocasiões, o paciente pode tentar recorrer a um transplante de córnea. Casos em que o paciente feche as pálpebras na hora do acidente, pode ajudar a preservar a visão, embora queime a pele externa dos olhos.

Recuperação de queimaduras pode gerar bons resultados

“Queimaduras desse tipo nunca serão apenas de um grau. Elas podem ser misturadas e o tratamento vai depender do quanto a região foi afetada. Às vezes a lesão da queimadura pode ser de 2º grau para quase 3º, então o tratamento dependerá da análise da ferida e de sua profundidade”, explica Molina.

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O cirurgião conta que o tratamento para queimaduras de 1º grau é feito com o resfriamento da área ao colocá-la debaixo da água corrente e, caso a dor persista, o paciente deve procurar um médico.

Queimaduras de 2º grau, se mais superficiais, recebem o tratamento de suporte de maneira a evitar infecções. Nesses casos são utilizados métodos de proteção, como curativos, para que a pele não seja infectada e possa cicatrizar. A cicatrização leva de 10 a 12 dias para que a pele se regenere.

Queimaduras de 2º grau que sejam mais profundas e queimaduras de 3º grau geralmente recebem enxertos de pele. Nesse procedimento, são retiradas partes finas de pele de uma região saudável e colocadas na área queimada. Segundo o médico, as feridas costumam apresentar boa evolução.

Após o tratamento da fase aguda, caso existam sequelas das queimaduras, podem ser realizadas cirurgias complementares, como a regeneração de pálpebra por dificuldade de fechar os olhos. A presença de cicatrizes e marcas dependerá da profundidade da queimadura de pele.

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Para queimaduras, em geral, assim que ocorrem, o médico orienta que a pessoa lave a região afetada com água corrente em grandes quantidades, independentemente do grau e da área afetada, e cubra com um pano assim que a dor melhorar. “O paciente deve lavar a queimadura o máximo possível, pois quanto mais água, mais superficial essa queimadura se torna, diminuindo o risco de complicações”, argumenta. 

O médico alega que a área deve ser lavada apenas com água corrente. Pasta de dente e álcool não devem ser utilizados jamais, pois aumentam os riscos de piora. A pessoa que sofre a queimadura deve, também, retirar acessórios, pois a região lesionada poderá inchar. 

Após a recuperação, o paciente deve utilizar malha compressora, evitar a exposição solar e se manter hidratado, tanto com água quanto com cremes hidratantes com frequência, de acordo com a orientação médica.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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