Comissão Eleitoral russa denuncia ciberataques do exterior nas eleições legislativas


Na sexta, aplicativo que indicava alternativa da oposição saiu das lojas do Android, que pertence ao Google, e do iOS, da Apple. Votação nas eleições parlamentares e regionais na vila de Novoye Bobrenevo, região de Moscou
REUTERS/Shamil Zhumatov
A Comissão Eleitoral russa denunciou, neste sábado (18), ciberataques procedentes do exterior direcionados aos seus sites, no segundo dia das eleições legislativas, pelas quais as autoridades pressionaram os gigantes tecnológicos.
Neste sábado, as autoridades eleitorais afirmaram terem sofrido “três ciberataques” organizados “em países estrangeiros”.
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Segundo um responsável da Comissão Eleitoral, Alexandre Sokoltchuk, dois deles tiveram como alvo os sites de sua instituição e um terceiro tentou sobrecarregá-lo por meio da negação de serviço.
“O ataque foi bastante poderoso”, afirmou Sokoltchuk, citado por agências de notícias russas, acrescentando que outros ataques estavam sendo preparados para domingo, quando acabam as eleições.
Sokoltchuk, no entanto, não especificou quais países estariam por trás deste ataque.
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Telegram deleta app de Navalny
O Telegram deletou, neste sábado (18), o aplicativo de “voto inteligente” do opositor russo preso Alexei Navalny, apesar de ter anunciado a princípio que tinha a intenção de resistir à pressão das autoridades russas para que o bloqueasse.
O órgão russo regulador das telecomunicações exigiu na segunda-feira o bloqueio deste aplicativo, o qual os eleitores podem usar para saber qual candidato tem mais chances de derrotar os candidatos do partido do presidente Vladimir Putin nas legislativas que começaram na sexta-feira e terminam no domingo.
Apple e Google aderiram a essas instruções na sexta-feira e Nalvany os acusou de “ceder à chantagem do Kremlin”.
Cerca de 108 milhões de russos foram convocados às urnas para elegerem os 450 membros da Duma, a câmara baixa do Parlamento.
Praticamente nenhum candidato opositor pôde se apresentar a essas eleições, nas quais o Rússia Unida – o partido de Putin – se proclamará vencedor, apesar de sua crescente impopularidade. Os outros partidos presentes no Parlamento seguem, em linhas gerais, as diretrizes do Kremlin.
O aplicativo criado pela equipe de Navalny analisa, por região, qual candidato de outros partidos tem mais chances de ganhar.
Com seu desaparecimento da rede de mensagens Telegram, muito popular na Rússia, o aplicativo deixa de estar disponível.
O fundador do Telegram, o russo Pavel Durov, disse que se limitou a seguir a Apple e Google, “que ditam as regras do jogo”.
Mas estimou também que “o fato de Apple e Google aceitarem que haja aplicativos bloqueados cria um perigoso precedente que vai afetar a liberdade da palavra na Rússia e no mundo”.