Com que idade a gente se sente com 65 anos?


Estudo mostra uma variação de até três décadas entre os habitantes dos países pesquisados Você ainda está na casa dos 50, mas já se sente acabado? Ou passou dos 70 conservando a mesma energia de uma década atrás? Estudo divulgado no começo do mês mostra como indivíduos de diferentes países podem ser classificados em relação à sua saúde. A questão proposta pelos pesquisadores era descobrir com que idade uma pessoa se sente com 65 anos e o resultado do trabalho indicou uma variação de até 30 anos, dependendo de onde se nasce. No Japão e na Suíça, por exemplo, foi encontrada a relação mais favorável: na média, os idosos de 76 anos têm uma saúde equivalente à de quem tem 65, ou seja, é como se fossem 11 anos mais jovens do que consta em suas certidões de nascimento.
Estudo mostra como indivíduos de diferentes países podem ser classificados em relação à sua saúde
By Kyle Lease from Mexico / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19094788
A França praticamente empata, enquanto, nos Estados Unidos, a diferença é de apenas três anos: um indivíduo de 68.5 tem o perfil de um de 65. No entanto, na Papua Nova Guiné, aos 46 anos as pessoas apresentam problemas compatíveis com quem tem 65, isto é, quase 20 anos a mais. Igualmente na lanterna estão as Ilhas Marshall, que também ficam na Oceania, e o Afeganistão: em ambos, quem tem 51 apresenta um perfil de 65. O trabalho, o primeiro com este tipo de abordagem, foi publicado na “The Lancet Public Health”. Os pesquisadores utilizaram os dados do Global Burden of Diseases relativos a 195 países, entre 1990 e 2017. Esse é um levantamento que computa todo tipo de fator de risco que leva a uma morte prematura ou a alguma incapacidade – por isso é chamado de índice do peso das doenças para cada nação. Para fazer um recorte que abrangesse apenas os idosos, eles analisaram 92 condições relacionadas ao envelhecimento.
Para a doutora Angela Chang, coordenadora do estudo e membro do Center for Health Trends and Forecasts da Universidade de Washington, que estuda tendências no campo da saúde, uma disparidade tão grande é um sinal de alerta: “o aumento da expectativa de vida pode ser uma oportunidade ou uma ameaça, dependendo dos serviços disponíveis para a população. Governos e lideranças políticas deveriam se mobilizar para evitar que as pessoas sofressem com os efeitos negativos do envelhecimento”.