Com poucos turistas, Disneylândia Paris fecha um hotel e prolonga seguro-desemprego de funcionários


O parque que, nos dias mais cheios de um ano normal, chega a receber 80 mil visitantes diários, tem recebido em média 15 mil visitantes por dia no último mês.
Visitantes da Disney de Paris, na França, usam máscara na reabertura dos parques.
Charles Platiau/Reuters
Pouco mais de um mês após a reabertura dos parques da Disneylandia Paris, a presidente do grupo Euro Disney anunciou que um dos três hotéis que voltaram a receber visitantes fechará suas portas em setembro. Outros quatro hotéis do parque europeu seguem parados desde março.
A volta dos turistas no verão europeu não foi suficiente para que a gigante do entretenimento tenha trabalho para todos seus mais de 14 mil funcionários. O parque que, nos dias mais cheios de um ano normal, chega a receber 80 mil visitantes diários, tem tido uma média de 15 mil visitantes por dia no último mês.
Com o fim do período de férias na Europa, o fluxo deve cair ainda mais. Na terça-feira (18), Natasha Rafalsky, presidente do grupo Euro Disney, anunciou que o Hotel Cheyenne, um dos três que foram reabertos desde julho, fecha suas portas no final de setembro para só reabrir em março de 2021.
Com isso, cinco dos sete hotéis da Disneylandia Paris estarão fechados nos próximos meses. Diversos restaurantes e lojas nos dois parques do grupo na França mantém ainda suas atividades suspensas até o final do ano, de acordo com os sindicatos.
No comunicado feito aos funcionários, Rafalsky diz que o grupo estuda formas de preservar os empregos fixos, “garantindo a viabilidade a longo prazo do nosso negócio”. A presidente não descarta a possibilidade de manter trabalhadores afastados, recebendo seguro-desemprego, até o início de 2021. A empresa não informa o número de funcionários nesta situação.
À RFI Brasil, a Disneylandia Paris confirmou que oferece a 40 % dos trabalhadores dos hotéis parados a possibilidade de voltar ao trabalho em outras vagas, como postos em atrações do parque ou mesmo no call-center. No entanto, não informou o número de assalariados que estão afastados.
Abertura com capacidade restrita e pouco fluxo
A Disneylandia Paris reabriu seus dois parques na metade de julho para aproveitar as férias de verão. Com novas regras sanitárias por conta do coronavírus, o parque implantou mais de 2 mil distribuidores de álcool gel, obrigatoriedade de máscara acima dos 11 anos e reduziu sua capacidade de atendimento para 25 mil visitantes por dia.
Em julho, voltaram ao funcionamento três dos sete hotéis: Disney’s Newport Bay Club, Hotel Santa Fé e Hotel Cheyenne.
Para deixar para trás os quatro meses fechados e voltar ao ambiente de magia prometido ao público, os parques relançaram espetáculos bem-sucedidos no passado, como o Rei Leão e os ritmos da Terra.
No entanto, os turistas não chegaram na quantidade esperada. E com um público mais fraco e diante da redução de circulação nos países europeus por conta do aumento de casos de Covid-19, os planos de reabertura de restaurantes, lojas e hotéis teve de ser alterado.
Renda reduzida e indefinição
Diante desse cenário, os empregados da Disneylandia Paris vivem entre o medo de perder o emprego e a expectativa de poder voltar ao trabalho a qualquer momento.
Desde o início da pandemia de Covid-19, a França implementou um programa de seguro-desemprego em que o governo paga parcialmente o salário dos funcionários das empresas paradas por conta do surto.
O grupo Euro Disney lançou mão do plano ainda em abril e, desde então, mantém parte de seus trabalhadores no seguro-desemprego. Atualmente, os funcionários nessa situação são uma minoria, afirma a empresa.
Mariana Ribeiro, 28, é garçonete na Disneylandia Paris há cerca de dois anos e está no seguro-desemprego desde abril. “A gente não tem previsão de voltar a trabalhar”, diz.
Os funcionários no seguro-desemprego recebem 84 % de sua renda líquida. Além da redução do salário, a brasileira perdeu o valor das gorjetas, ao menos € 400 por mês (mais de R$ 2.500).
Com um bebê em casa, a garçonete mantém o emprego de uma babá enquanto aguarda ser chamada para voltar a trabalhar.
“Eles não dão certeza de nada, é muito complicado. Até semana passada, eu ia voltar a trabalhar em 7 de setembro e precisava manter a babá. Mas as informações vem pouco a pouco, fica difícil planejar qualquer coisa.”
Até o momento, a empresa não tem em vistas um plano de demissão, segundo os responsáveis sindicais. No início de setembro, a Disneylandia Paris e os sindicatos devem voltar à mesa de negociação para renegociar o plano de prorrogação do seguro-desemprego.